CIIS - Livros e Partes de Livros / Books and Books Parts
URI permanente para esta coleção:
Navegar
Entradas recentes
- Impacto e consequências do terramoto de 1755 fora de PortugalPublication . Ferreira, Amélia; Esteves, Alexandra; Figueiredo, Amélia SimõesIntrodução: O sismo que atingiu Lisboa em novembro de1755 teve um forte impacto na Europa setecentista, lançando o medo e a consternação. Pelo facto de ter sido a capital do reino português que mais sofreu com o terramoto e incêndios que o sucederam, este tomou o seu nome, passando a denominar-se Terramoto de Lisboa. Com o epicentro no Oceano Atlântico, a algumas centenas de quilómetros a sul do Cabo de São Vicente, foi o sul do país que mais sofreu com esta catástrofe. Este facto explica também que o evento se tenha propagado a toda a costa ocidental de África, desde Salé até Ceuta, existindo narrativas da destruição de muitas vilas e cidades como “Féz, Tetuan, Saffy, Arzilla, Tânger e Ceuta”. Em Marrocos, nomeadamente em Agadir e Rabat, existem indícios bastante nítidos, de que os efeitos sentidos no primeiro de novembro foram semelhantes aos de Portugal. De referir que nas ilhas dos Açores, o terramoto foi sentido em terra sem causar danos, enquanto que no mar ficaram algumas embarcações em perigo de naufragar. Objetivos: Descrever os efeitos do terramoto que destruiu Lisboa em 1755, noutros reinos, algumas deles, muito distantes de Portugal. Referir o número de vítimas provocadas na vizinha Espanha. Métodos: Abordagem sistemática por meio de recolha, organização e avaliação crítica de dados, obtidos através da pesquisa documental, efetuada em fontes manuscritas e impressas, assim como, avaliação crítica dos factos plasmados nas fontes históricas. Resultados: Foram encontrados inúmeros registos dos efeitos que o sismo de 1755 provocou fora do reino de Portugal, havendo vasta documentação sobre as consequências do terramoto em Espanha e Marrocos e vários registos noutros reinos europeus. Em França, foi sentido em La Rochelle, Bordéus, e outras terras da costa. Na Suíça, o evento fez-se sentir em Berna e Basileia. Em Itália, sem causar grandes tumultos, foi sentido entre outros locais, na Lombardia. Outros lugares que sentiram o terramoto foram: Holanda, Dinamarca, Noruega e cidades perto do Mar Báltico. Na Suécia e na Pomerânia também se fizeram sentir os efeitos do evento de Lisboa, sensivelmente à mesma hora, havendo registos de que as águas de vários lagos, nestas duas regiões, transbordaram dos seus leitos, alagando as terras circundantes e que passadas algumas horas regressaram aos seus antigos níveis. Na Irlanda, as águas do mar ficaram agitadas e, em alguns lugares daquela Ilha sentiram-se violentos abalos de terra. Em África, as localidades mais atingidas foram as da costa do Mediterrâneo, sendo que, a cidade de Mequinez em Marrocos foi muito destruída. Nas Caraíbas também se sentiram os efeitos do “terramoto de Lisboa”. Na Ilha de Barbados, estes fizeram-se sentir às duas da tarde num movimento anormal das águas que perdurou até às dez da noite. Na Antígua foi também detetado um movimento anormal das águas. Estudos mais recentes referem que o maremoto transoceânico, provocado pelo terramoto de 1755, provocou ondas com três metros de altura nas ilhas de Martinica e Guadalupe. Quanto às vitimas mortais no reino de Espanha, dos 1275 mortos resultantes do desastre, ao maremoto se deveram 1214, dos quais 400 em Aiamonte; 200 em Cádis, 276 em Redondela; 203 em Lepe; 66 em Huelva e 24 em Conil de la Frontera. A localidade mais atingida no interior foi Coria, com 21 vítimas mortais atingidas, quase todas pelo desmoronamento de edifícios que não suportaram o abalo de terra. Conclusão: Podemos referir que, passados mais de 250 anos sobre o acontecimento, ainda em pleno século XXI se continua a escrever sobre o acontecido e a catalogar este evento como um dos dois maiores tremores de terra que “chocaram o mundo” numa comparação direta com o acontecido em Aceh/Sumatra no ano de 2004. O “terramoto de Lisboa”, apesar de ficar para sempre ligado ao nome da capital de um pequeno país no sul da Europa, abalou o coração do velho Continente continuando a ocupar um espaço no pódio dos maiores cataclismos que assolaram a humanidade.
- Posso ficar e assistir? Visão da família sobre a sua presença na reanimaçãoPublication . Fernandes, Ana Isabel Pereira de SáNos últimos 30 anos, tem sido realizados estudos científicos em diferentes culturas com o objectivo de compreender a opinião da família sobre a sua presença caso se deparasse com um acontecimento de reanimação cardiopulmonar. Embora a reanimação cardiopulmonar seja um momento com elevado grau de stress e um evento muito caótico para os profissionais de saúde e para a família, existe uma crescente tendência para algumas instituições começarem a crer que é benéfica a sua presença. Muitas equipas ainda acreditam que a família pode expressar sentimentos que podem perturbar e causar momentos de distracção, assim como, pode inclusive tentar interferir no trabalho desenvolvido. Material e Método: O objetivo da revisão foi compreender se é benéfico para a família estar presente quando a equipa está a efetuar reanimação cardiopulmonar. Considerou-se os seguintes descritores: stress, ressuscitação cardiopulmonar, família e realizou-se posteriormente pesquisa nas bases de dados b-ON e EBSCO. Inicialmente obteve-se 25 368 artigos na base de dados b-ON e 81 artigos na base de dados EBSCO e após restringir a pesquisa para os últimos 5 anos, isto é, 2011 a 2015 obteve-se 11 489 artigos. Excluíram-se artigos duplicados e refinou-se a pesquisa através de alguns critérios de inclusão, nomeadamente, a adequação ao tema em estudo, artigos analisados por peritos, texto integral e abordarem a visão dos profissionais, ficaram incluídos para análise 5 artigos. Resultado: Cada família vive o momento da reanimação de forma diferente, podendo reagir de diversas maneiras. Em todo o processo é essencial que a equipa respeite as crenças e a cultura da família e da vítima. É importante que exista um profissional, devidamente formado, que acompanhe a família ao longo do evento vivido. Porém, antes de implementar o processo, o mesmo deve ser planeado e preparado. A família tem manifestado vontade em ficar e assistir à reanimação porque gostariam de ficar junto da vítima. Por um lado, alguns profissionais aceitam a presença da família acreditando que a mesma ao observar pode constatar que os protocolos foram seguidos e que tudo foi feito. Enquanto que barrar a sua presença pode dar a falsa sensação de que a equipa estaria a esconder alguma informação. A falta de informação e o défice na comunicação transmitida entre a equipa e a família leva a que a família não compreenda a gravidade da situação e a evolução que o evento está a seguir. Este défice origina sentimentos de desconfiança no seio da família e pode resultar em comportamentos inadequados tais como, momentos de conflito e/ou agressividade direcionados à equipa. A família que observou a reanimação demonstrou que o mesmo foi um momento positivo que auxiliou no início saudável do processo de luto e manifestou vontade de estar novamente presente num evento futuro idêntico. Conclusões: Ao longo dos anos foi sendo criada uma barreira à presença da família no momento da reanimação cardiopulmonar. Porém, tem havido uma crescente inversão e uma maior aceitação por parte dos profissionais. É importante que sejam desenvolvidos mais estudos no âmbito desta área, que investiguem os benefícios da presença da família e refinem as políticas a seguir pelos profissionais de saúde.
- O custo de prevenção e tratamento de úlceras de pressão: revisão da literaturaPublication . Teixeira, Susana Alexandra Fonseca; Neves, Vasco Manuel da SilvaIntrodução: As úlceras de pressão (UP) são consideradas um problema de saúde pública, comum em muitos ambientes de cuidados e um indicador da qualidade dos cuidados prestados (1). Esta problemática tem vindo a obter grande preocupação política e económica, devido aos encargos financeiros para os sistemas de saúde, perda e comprometimento de qualidade de vida, quer para o indivíduo portador de UP e dos seus cuidadores quer para a sociedade (2). A necessidade de cuidados de saúde de alta qualidade, enquanto os gastos são limitados, tem despertado interesse na elaboração de estudos com o objetivo de calcular o custo da prevenção e do tratamento das UP assim como o impacto nos utentes e sociedade (3). Objetivo: Analisar os custos da prevenção e tratamento das UP na população adulta, em qualquer ambiente de cuidados, através da análise de estudos que visam medir o impacto económico desta problemática. Material e Métodos: Nesta pesquisa foi realizada uma revisão da literatura sobre UP e custo dos artigos publicados nas bases de dados da BVS e EBSCOhost entre janeiro de 2005 e dezembro de 2015, escritos em português, inglês e espanhol. Foram utilizados os descritores MSH “cost of pressure ulcer or treatment and cost estimates and cost per patient or cost per patient per day”. A recolha e análise dos dados foram realizadas entre os meses de janeiro e fevereiro de 2016. Resultados / Discussão: Nesta pesquisa foram identificadas 84 publicações, após a análise do título e do resumo foram selecionadas 12 para integrar esta análise. Numa época em que assistimos a uma mudança organizacional dos cuidados de saúde e em que as instituições de saúde têm como objetivo estratégico prestar cuidados com maior eficiência, tanto em termos de custos como em termos clínicos, quantificar o custo das UP torna-se cada vez mais relevante porque permite realçar a magnitude desta problemática. A análise dos artigos publicados revelou uma grande discrepância nos resultados apresentados. O custo médio da prevenção das UP em utentes com risco foi estimado em 2,15 € por dia nos lares de idosos e 7,88 € nos hospitais e nos utentes sem risco variou entre 0,50 € por dia nos lares de idosos e 1,44 € nos hospitais (5). O custo estimado do tratamento de uma UP nos hospitais variou entre 24 € (categoria I) (4) e 11355 € (categoria IV) (3) e nos cuidados de saúde primários entre 108 € (categoria I) e 2868 € (categoria IV) (4). O principal fator pelos custos foi o custo associado aos cuidados de prevenção, devido ao reposicionamento regular e avaliação do risco, que variou ente 19% e 90% (3) (4). Para os gestores é relevante conhecer o custo potencial das UP porque os custos dos recursos para o hospital são suscetíveis de ser substanciais (3) (6). Dealey, Posnett e Walker (2012) verificaram que 5 a 8 dias de internamento hospitalar adicional, nos utentes que adquiriram uma UP, representou um aumento de 4,35 milhões € anuais e que uma redução de apenas 20% das UP poderia gerar uma poupança de cerca de 868762 € anuais (3). Estes dados destacam a importância da prevenção, implementação de medidas eficazes de identificação e tratamentos, de forma a evitar que a gravidade das UP aumente e os utentes fiquem mais suscetíveis a infeções e outras complicações que pode levar à hospitalização e com isso aumentar os custos dos tratamentos de forma substancial. Conclusão: Numa época pautada por uma profunda crise económica, é essencial compreender os custos relacionados com a prevenção e tratamento das UP. Os resultados destes estudos podem ajudar os políticos e gestores dos serviços de saúde a identificar os fatores de custo da prevenção e tratamento das UP e na tomada de decisões sobre o planeamento, a alocação de recursos e definição de prioridades das despesas de saúde para melhorar a implementação de medidas preventivas.
- Qualidade dos cuidados prestados nos hospitais portuguesesPublication . Roque, Sofia Maria Borba; Jesus, Élvio Henriques; Araújo, Beatriz Rodrigues; Almeida, Sofia PintoIntrodução: A Qualidade na Saúde assume hoje um papel primordial sendo considerada “um imperativo moral, porque contribui para a melhoria da equidade e do acesso aos cuidados de saúde em tempo útil, da segurança e da adequação com que esses cuidados são prestados”(Direcção-Geral da Saúde [DGS], 2015, p.16), sendo aconselhado pela OMS implementar estratégias que visem a mesma, utilizando medidas que sejam sustentáveis a longo prazo (DGS,2015). Porém, para que o referido possa ser executado da forma mais eficiente e eficaz há que conhecer previamente a realidade, assumindo os enfermeiros uma posição privilegiada, pela essência da profissão, para avaliar a mesma. Objetivo: Descrever a perceção dos enfermeiros de serviços médico-cirúrgicos dos hospitais portugueses relativamente à qualidade dos cuidados prestados; Comparar a perceção dos enfermeiros de serviços médico-cirúrgicos dos hospitais portugueses relativamente à qualidade dos cuidados prestados com os resultados obtidos nos restantes países da europa. Material e Métodos: O estudo descritivo é quantitativo, observacional, transversal, envolvendo 2188 enfermeiros de unidades médico-cirúrgicas de adultos de 30 Hospitais portugueses. Os dados foram colhidos no âmbito do RN4Cast@pt, em 2013, usando questões integradas no Nurse Servey Instrument e tratados com recurso à estatística descritiva usando o programa SPSS. No que concerne ao estudo comparativo foram utilizados os dados apresentados por Aiken et al. (2012), os quais foram recolhidos através de um estudo transversal, entre 2009 e 2010, a 33659 enfermeiros de 488 hospitais de diferentes países Europeus como: a Bélgica, Inglaterra, Finlândia, Alemanha, Grécia, Irlanda, Países Baixos, Noruega, Polónia, Espanha, Suécia e Suíça. Resultados: Verificamos que 22,3% dos enfermeiros portugueses descrevem a qualidade dos cuidados de enfermagem prestados nos serviços como razoável/pobre, 28,7% está nada/pouco confiante relativamente à capacidade dos clientes para a gestão de cuidados após a alta, sendo que 53,5 % está nada/pouco confiante relativamente à forma como a direção hospitalar irá resolver os problemas relacionados com os cuidados aos doentes por si reportados. Relativamente à qualidade dos cuidados de enfermagem prestados nos serviços constatamos que Portugal integra a variação apresentada nos restantes países da Europa (min:11% na Irlanda; max:47% na Grécia) sendo a Polónia a que apresenta resultados mais próximos (26%) de Portugal. Porém, o mesmo não se verifica no que concerne ao grau de não confiança relativamente à capacidade dos clientes para a gestão de cuidados após a alta, e grau de não confiança relativamente à forma como a direção hospitalar irá resolver os problemas relacionados com os cuidados aos doentes reportados pelo enfermeiros, onde a variação é entre 74% (Polónia) a 28% (Suécia) e 87% (Grécia) a 58% (Alemanha), respetivamente. Discussão: Diferentes níveis de qualidade foram encontrados entre os países. Porém, a Grécia é o país que expressa de forma mais marcante esses dados, podendo este facto estar associado às dificuldades económicas pelo qual o sistema de saúde grego passa, não muito diferente da atualidade portuguesa, todavia apresentamos resultados bem melhores. Por outro lado, a melhor qualidade é percecionada na Irlanda e Noruega indo de encontro com o esperado pelo conhecido desempenho positivo dos sistemas de saúde. Consideramos que a população Portuguesa continua a ser crente na melhoria da panorâmica do sistema de saúde, aguardando que os decisores políticos façam algo para tal, tendo por base os resultados obtidos. Conclusões: A qualidade dos cuidados percecionada pelos enfermeiros de serviços médico-cirúrgicos de alguns hospitais portugueses é extremamente preocupante, sendo urgente o desenvolvimento de estratégias que invertam os resultados a curto prazo por parte dos decisores políticos. Verifica-se que somos uma população que continua a acreditar que algo poderá ser feito para melhorar a qualidade dos cuidados. Um leque amplo de literatura internacional sugere que melhorias ao nível do ambiente de prática de enfermagem poderá ser uma estratégia de baixo custo para melhorar a qualidade dos cuidados prestados.
- Utilizadores dos balneários públicos de Lisboa: a transição para a situação de sem-abrigoPublication . Figueiredo, Amélia Simões; Deodato, Sérgio; Santos, Sarreira; Ferrito, Cândida
- Os feridos no terramoto de 1755 em LisboaPublication . Ferreira, Amélia; Esteves, Alexandra; Figueiredo, Amélia Simões
- A saúde dos utilizadores dos balneários públicos de Lisboa: um projeto de extensão universitária para a população vulnerávelPublication . Simões-Figueiredo, Amélia; Vidal, Teresa; Sarreira-Santos, Alexandra; Medeiros-Garcia, Lurdes; Seabra, PauloConcerning the extension projects, the Universidade Católica Portuguesa has concluded the diagnosis of the Alcântara and Arroios Public Bathhouse users’ health situation. The main objective is to compare the results from these studies and reveal promising strategies of community intervention, with the intent of social inclusion. From the analytical comparison of the descriptive studies, and based on the health planning methodology, emerged strategies following the determined priorities. The sanitary and economic conditions, solitude and the homeless situation explain the usage of these resources. The majority of users lived without any source of income, they did not looked after their health, nor did they have a family doctor. They present morbidities, from which we can highlight mental health issues and addict behaviours. After identifying the typical user, we can conclude that the data overlaps. We intend to continue this investigation project in other bathhouses and the consultation as a nursing response to the vulnerable population.
- O compromisso do autocuidado e a presença de onicomicose nos doentes com distúrbios mentaisPublication . Silva-Neves, Vasco; Silva, Mafalda; Teixeira, SusanaINTRODUÇÃO: Algumas doenças mentais, como a depressão, estão associadas a comportamentos negativos de negligência no autocuidado. Sabe-se que, nos diabéticos, os benefícios dos comportamentos de autocuidado, incluem manter o nível de glicose no sangue a níveis recomendados, assim como prevenir possíveis complicações. Estudos revelam que o nível de conhecimento do doente mental, relativamente ao controlo da diabetes, tem uma relação direta com a sua capacidade cognitiva, o que poderá condicionar o autocuidado, especificamente nos cuidados aos pés. Independentemente das comorbilidades associadas, e devido às suas caraterísticas particulares, os idosos apresentam maior dificuldade e compromisso no autocuidado dos pés, principalmente quando existe espessamento da lâmina ungueal, em consequência da evolução da onicomicose. Ora, a presença deste fenómeno já foi associado em alguns estudos, precisamente ao défice de cuidados de higiene diários aos pés. OBJETIVOS Pretende-se identificar a relação entre os distúrbios mentais e as implicações no autocuidado dos pés, em particular nos doentes portadores de onicomicoses. MATERIAIS E MÉTODOS: Para esta revisão da literatura, foram efetuadas pesquisas com os descritores MESH durante os meses de janeiro e fevereiro de 2017, em Clinicalkey, ClinicalkeyforNursing e EBSCO. Como critérios de inclusão definiu-se o limite temporal dos últimos dez anos e todas as publicações sem distinção de género, idioma ou localização geográfica. RESULTADOS/DISCUSSÃO Desta pesquisa foram identificadas 96 citações que se enquadravam nos critérios. Dos 24 artigos elegíveis com texto completo, eliminou-se 18, porque não se enquadravam nos objetivos da revisão. Foram incluídos os resultados de 6 estudos. Um estudo publicado em 2012, analisou doentes amputados dos membros inferiores e a sua relação com a presença de distúrbios mentais secundários a esse evento. Cerca de 40% apresentou distúrbios emocionais, nomeadamente ansiedade e depressão, relacionadas, não só com a amputação, mas também pela dependência causada e inadaptação às suas atividades de vida diária. Publicado em 2014, um estudo efetuado numa população vulnerável, verificou taxas de prevalência de doença mental de 20 a 30%. Identificou também, que devido há falta de higiene e más condições de vida, estas pessoas apresentavam onicomicose e outras afeções dos pés. Ainda nesse ano, um estudo com um desenho de investigação quasi-experimental, foi realizado num pequeno grupo de doentes esquizofrénicos, o qual foi submetido à intervenção de banho e massagem dos pés três vezes por semana durante 4 semanas. Os resultados revelaram uma melhoria dos sintomas psiquiátricos, devido ao efeito de relaxamento da técnica aplicada. Identificou-se ainda um estudo comparativo, efetuado em pessoas com doença mental grave e com diabetes, o qual comparou os cuidados praticados habitualmente, com um programa de ensino e autogestão das doenças, realizado por enfermeiros de cuidados de saúde primários. Neste programa com onze sessões, estão incluídos os ensinos sobre os cuidados aos pés. Os resultados preliminares indicam viabilidade e boa aceitação dos participantes, assim como fiabilidade na implementação desta intervenção pelos enfermeiros educadores. Um estudo de 2016, realizado num grupo de pessoas diabéticas com depressão, procurou analisar de que forma a Terapia de Resolução de Problemas (PST) poderia melhorar comportamentos de autocuidado, nomeadamente os cuidados aos pés. Salienta-se que embora a depressão seja um forte preditor de má gestão do diabetes, mesmo controlando os sintomas depressivos os comportamentos sobre a diabetes não melhoraram. Reconhece ainda que a remissão da depressão não é uma condição suficiente, mas uma condição necessária para a mudança comportamental. Outro achado nulo foi a observado na relação entre o recebimento de PST e comportamentos de autocuidado, sugerindo que esta terapia pode não induzir de forma suficiente mudança de comportamento. Publicado no mesmo ano, uma investigação procurava verificar a relação entre o conhecimento da diabetes e os sintomas psiquiátricos descritos e relacioná-los com a sua doença mental. Os resultados enfatizam o papel do prestador de cuidados como elemento fundamental, na gestão da farmacoterapia, uma vez que alguns fármacos são potenciadores das alterações cognitivas existentes, e na promoção do descontrolo metabólico, o que poderá condicionar o conhecimento e o autocuidado do diabético. CONCLUSÃO: Nos estudos citados, constata-se uma relação importante entre os distúrbios mentais e a Diabetes. Estes procuram analisar as implicações do cruzamento destas doenças crónicas com o autocuidado de forma geral e não apenas dos pés. Embora esta revisão apresente algumas limitações, salienta-se que a referência em particular à abordagem da onicomicose nos doentes mentais e diabéticos é pouco explícita e muito escassa, o que evidencia a necessidade de investigação nesta área.
- Impacto das intervenções psicoeducativas nos cuidadores de pessoas com demênciaPublication . Silva, Mafalda; Sá, Luís; Silva-Neves, Vasco; Teixeira, Susana Alexandra Fonseca
- Entre vivos e mortos: uma reflexão sobre a ação da Igreja no terramoto de Lisboa de 1755Publication . Ferreira, Amélia; Esteves, AlexandraO terramoto que devastou a cidade de Lisboa em novembro de 1755 deixou marcas permanentes não só no corpo como na alma dos habitantes da capital portuguesa. As descrições coevas, deixadas por todos aqueles que viveram os momentos que sucederam à catástrofe, são quadros vivos da religiosidade vivida naqueles tempos. O sentimento de culpabilização massiva, marcado pela maldição do pecado, era fortemente vincado pela ação da Igreja que revelava a imagem de um Deus infinitamente castigador e misericordioso. Numa sociedade desprovida de meios para combater os males naturais, a falta de proteção na terra era compensada por um elevado número de protetores celestiais, demonstrando fragilidade ou talvez impotência para fazer frente às adversidades. Os habitantes apavorados e totalmente indefesos ficaram sensíveis a implicações de carácter sobrenatural, que foi aproveitado por alguns pregadores.
