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Abstract(s)
Esta tese visa compreender até que ponto o “modelo chinês” – conhecido por
Consenso de Beijing – se está a impor em África, e se constitui, de facto, uma ameaça à
expansão da democracia liberal no continente. Moçambique – país apontado como um
modelo de cooperação com os doadores ocidentais, mas onde a presença chinesa tem
vindo a crescer a um ritmo impressionante – foi escolhido como estudo de caso.
A ascensão da China é vista como uma ameaça à disseminação dos valores
políticos e económicos ocidentais, muitas vezes referidos sob o termo genérico de
Consenso de Washington. Este conceito, na sua génese, era apenas um sumário de dez
prescrições de política económica para a América Latina; foi depois considerado,
sucessiva e erroneamente, como sinónimo dos Programas de Ajustamento Estrutural do
FMI; da doutrina económica do neoliberalismo; e do capitalismo democrático.
O Consenso de Beijing nasceu como um modelo de desenvolvimento cujo
objectivo era sumariar os ensinamentos do milagre económico chinês; o termo passou
depois a ser utilizado como sinónimo do sistema chinês de “leninismo de mercado”. A
presença cada vez mais significativa da China em África e o exemplo do seu sucesso
económico têm aumentado o interesse dos líderes africanos por este modelo em
detrimento do poder de atração do liberalismo democrático.
Este estudo demonstra que o Consenso de Beijing é muito dificilmente replicável
em Moçambique; porém, o financiamento da China pode contribuir para alimentar o
sistema clientelar do partido no poder. Se a elite governante é muito receptiva ao “modelo chinês” o mesmo não se poderá dizer da população e da sociedade civil – a primeira
admira o crescimento económico que este proporciona mas mantém a sua lealdade para
com a democracia; a segunda rejeita-o na sua totalidade
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Keywords
Consenso de Washington Neoliberalismo Consenso de Beijing Leninismo de mercado China Moçambique Soft power