FCSE - Dissertações de Mestrado / Master Dissertations
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- Tempo de ecrã e funcionamento executivo de crianças entre 6-8 anosPublication . Tomás, Inês Sofia Patrício; Rato, Joana Maria RodriguesIntrodução: A emergência digital trouxe uma constante presença dos dispositivos eletrónicos na rotina das crianças levantando questões acerca do seu impacto no bem-estar e desenvolvimento cognitivo. Estudos anteriores têm vindo a demonstrar resultados contraditórios, tendo o seu enfoque em idades pré-escolares. Com a presente investigação pretendeu-se caracterizar o tempo de utilização de diferentes dispositivos eletrónicos pelas crianças do 1º ciclo escolar do ensino básico e verificar a sua relação com a atenção e as funções executivas. Metodologia: A amostra selecionada por conveniência é constituída por 65 crianças dos 6 aos 8 anos (M=7.1; DP=0.79), sendo que 44.6% são do sexo masculino e 55.4% do sexo feminino, de uma escola básica na região de Mafra pertencente à Área Metropolitana de Lisboa (AML). Os instrumentos utilizados incluíram heterorelato e medidas de desempenho direto. Para caracterização das rotinas das crianças quanto ao uso dos dispositivos eletrónicos aplicou-se aos pais o QTEC, e para avaliar as funções executivas aplicou-se a BRIEF. Para avaliar a atenção e funcionamento executivo de crianças de diferentes grupos de tempo de ecrã foram ainda aplicados os subtestes Fluência Verbal, Cancelamento de Sinais e Trilhas A e B da BANC. Resultados: Os resultados obtidos mostram que existem diferentes padrões de utilização dos dispositivos de ecrã durante a semana e ao fim-de-semana, constando-se uma maior utilização nos dias livres escolares. Quase metade da amostra tem, pelo menos, um dispositivo próprio. Destaca-se uma associação significativa entre a Televisão e as subescalas Planeamento e Índice de Metacognição, e o Computador com a subescala Monitorização. Quanto maior o tempo de exposição a estes dispositivos, maiores as dificuldades de a criança planear ações, definir metas, monitorizar os seus próprios pensamentos/comportamentos, bem como adaptar as suas estratégias cognitivas face aos desafios com que se defronta. Após definir dois grupos, baixo e médio/alto risco de excesso do digital, foram observadas diferenças significativas nas tarefas de Cancelamento de Sinais, Trilhas B e Fluência Verbal Fonémica, com um desempenho pior no grupo com superior exposição digital. Conclusões: As conclusões revelam que as diretrizes da OMS para o tempo de ecrã ainda não são inteiramente cumpridas. Os nossos resultados corroboram estudos anteriores, quanto à dominância do tempo passado em frente aos ecrãs, confirmando que as crianças portuguesas entre os 6 e os 8 anos de idade, com maior tempo de ecrã, podem ter dificuldades em manter a atenção e monitorar a sua auto-regulação em tarefas cognitivas. A comunidade educacional deve analisar com cuidado o uso e o conteúdo do tempo de ecrã das crianças em início de escolaridade.