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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
O discurso teórico e filosófico em torno da fotografia instaurou novas leituras e
avanços na compreensão do médium fotográfico. É preciso notar, ainda assim, que estes se
dão sobretudo apoiados na livre dissertação sobre as imagens produzidas, enquanto produto
final. Compreender o processo de criação das imagens pode auxiliar à descoberta de novas
abordagens incisivas e relevantes para um conhecimento mais profundo do médium
fotográfico. As obras resultantes de posturas de autorreferencialidade fotográfica fornecem
um veículo óptimo para este deslocamento do objecto do discurso, da imagem para o
processo, uma vez que possuem uma forte densidade conceptual, aliada ao facto de refletirem
sobre as condições do próprio médium fotográfico.
A história da fotografia é o ponto de partida para a investigação e levantamento de
tendências e autores onde encontramos imagens com poder de autorreferencialidade
fotográfica: fotografias com a capacidade de virar o médium para uma análise sobre ele
mesmo (ex. Jeff Wall – Picture for Women, 1979). Apoiado em autores como Jean-François
Chevrier, Dominique Baqué e Henry Peyre, traço uma pequena história da fotografia
autorreferencial refletindo, sempre que possível, sobre os processos inerentes às obras
apresentadas. São levantados, em seguida, alguns discursos fotográficos correntes, com
autores como Roland Barthes, Rosalind Krauss, Philippe Dubois, Jean-Marie Schaeffer e
François Soulages. Evidenciam-se aqui diferentes entendimentos fotográficos que se apoiam
na semiótica pierciana, vagueando entre os campos do ícone, símbolo e índice. Philippe
Dubois serve igualmente como alicerce teórico para a expansão das noções de ato fotográfico,
cimentando as bases para o deslocamento do objeto de estudo que pretendo operar.
Apoiado nesta base teórico-histórica, desenvolvo o projeto prático after pietà. Este
serve-se da figura da pietà enquanto objeto e conceito-metáfora para a realização de uma série
de exercícios sobre saturação, ubiquidade, transparência, tempo e modo, explorando a relação
da fotografia com o mundo e consigo mesma. A sua corporalização dá-se numa impressão,
um livro e um vídeo, onde a pietá surge como uma câmara escura, para revelar a própria
fotografia.
Descrição
Palavras-chave
Postura Autorreferencialidade Fotografia Ato fotográfico Processo
