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O retrato mantém-se estranhamente silencioso à análise. Sem uma legenda ou um
título ignoramos como lhes chamar, quem são, qual é a sua individualidade. Temos apenas
pistas para projectar as nossas leituras, sempre tão frágeis, sobre a projecção ou leitura do
fotógrafo.
Assim sendo, quando procuramos uma certeza, embatemos na superficialidade da
fotografia. Um dos artifícios encontrados para conduzir e informar o espectador foram as
legendas, desde cedo aplicadas na fotografia documental e no jornalismo para centrar a
imagem num punctum, mas que posteriormente encontram a sua utilidade e função na prática
artística contemporânea. Mas será que basta uma legenda para transmitir algo de tão
complexo como a identidade, ou até para a aprofundar?
A dimensão verbal é usada na imagem com diferentes propósitos (entre outros, pode
ser guia ou ficção), mas o facto é que a sua existência acaba por nos conduzir pela intenção do
autor.
Esta profundidade encontrada no discurso verbal e nas suas características próprias, a sua
capacidade de expressar as relações silenciosas criadas fora do enquadramento da fotografia,
transmite-se para a imagem. Traça como que um mapa silencioso dos silêncios que existiam
nela, e pode dota-la de tridimensionalidade e profundidade.
A problemática deste trabalho consiste na possibilidade do uso de legendas na imagem
fotográfica aumentar as suas capacidades indexicais de transmissão de informação, uma vez
que uma ratifica a outra - e a linguagem escrita baseia-se em princípios semióticos diferentes
do da imagem fotográfica, o que leva a que seja capaz de contar mais do que a superfície
visível das coisas.
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Keywords
Fotografia Retrato Legenda Identidade Indexicalidade
