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Alegre de Sá, Maria da Conceição Gonçalves Marques

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  • Disciplina parental e práticas de autocuidado de saúde em jovens adultos
    Publication . Sá, Maria da Conceição Gonçalves Marques Alegre; Figueiredo, Bárbara Fernandes de Carvalho; Vieira, Margarida Maria da Silva
    O desenvolvimento do autocuidado em saúde envolve um conjunto de recursos internos e externos comuns ao desenvolvimento humano. O exercício da disciplina parental envolve circunstâncias e comportamentos parentais que se apresentam como importantes promotores de um conjunto de recursos de decisão, comuns ao desenvolvimento humano e ao autocuidado em saúde. Deste modo, e uma vez que a problemática do autocuidado em enfermagem tem vindo a enfatizar a necessidade da identificação de fatores com influencia no seu desenvolvimento ao longo da vida, este estudo pretende contribuir para o conhecimento do autocuidado em saúde enquanto processo de aprendizagem, sensível às dimensões pessoal e familiar e particularmente à disciplina parental. Objetivos – Os objetivos deste estudo visaram, por conseguinte, caracterizar as práticas de autocuidado em saúde dos jovens adultos; caraterizar a disciplina parental; analisar de que modo as práticas de autocuidado em saúde dos jovens adultos se relacionam com a disciplina parental; e identificar os fatores preditores das práticas de autocuidado de saúde dos jovens adultos. Metodologia – O estudo de caráter descritivo, transversal e correlacional, recorreu a métodos de análise quantitativos. Foi constituída uma amostra probabilística com base nas instituições de formação e de ensino secundário e superior da cidade de Coimbra. A população-alvo foi composta por estudantes com idades compreendidas entre os 18 e os 24 anos. A recolha de dados foi realizada pelo investigador com recurso aos seguintes instrumentos Dimensions of Discipline Inventory (DDI, Straus & Fauchier. A., 2007) e Denyes Self Care Practice Instrument (DSCPI-90, Denyes, 1990). No presente estudo foi feita a validação para a população portuguesa dos referidos instrumentos. Resultados – Dos 1168 jovens adultos que fizeram parte do estudo, 49% tiveram a mãe com mais responsabilidade pela sua disciplina, enquanto apenas 5% referem que o pai teve mais responsabilidade do que a mãe. A disciplina não punitiva é a que apresenta maior frequência para ambos, pai e mãe. Quanto às práticas de autocuidado em saúde, os jovens adultos relatam gastar 47% do seu tempo no envolvimento em práticas de autocuidado em saúde, sendo a média mais elevada observada nas ações de autorregulação pessoal e de envolvimento social (49,2%), seguida das ações gerais de saúde (48,7%), e a mais baixa percentagem observada nas ações associadas a uma alimentação equilibrada (42,4%). Este estudo permitiu a identificação dos seguintes fatores preditores das práticas de autocuidado de saúde: o rendimento económico familiar; o reconhecimento de que ambos os pais exercem a disciplina de forma equitativa; a disciplina punitiva; o contexto em que é implementada a disciplina; a afetividade/apoio; a impulsividade e o aviso no exercício da disciplina. Conclusões – O recurso aos métodos disciplinares parentais está associado à frequência e à gravidade dos maus comportamentos na infância. De modo que, a um aumento dos maus comportamentos está associado um aumento dos métodos disciplinares punitivos; dos aspetos negativos do contexto e do modo de exercer a disciplina, com diferenças entre os pais e as mães e com um agravamento das respostas negativas para as mães. Os baixos valores de envolvimento em práticas de autocuidado em saúde, na fase inicial do processo de autonomização em que se encontram os jovens adultos, apontam para a necessidade de se atender aos processos de estruturação a que as mesmas práticas estão sujeitas. Os fatores preditores do autocuidado em saúde dos jovens adultos, ligados à disciplina parental, permitiram reforçar a importância da qualidade da interação pais/filho, estabelecida na infância, para o processo de aprendizagem do autocuidado em saúde. Porém, as variáveis preditoras das práticas de autocuidado em saúde dos jovens adultos, são diferentes em função do sexo dos jovens adultos, e em função de ser o pai ou a mãe a exercer a disciplina.