Percorrer por autor "Ibraimo, Mahomed Nazir"
- O Conselho de Escola como espaço de participação da comunidadePublication . Ibraimo, Mahomed Nazir; Machado, JoaquimSe levarmos em consideração que a construção de uma sociedade democrática já não é compatível com modelos de gestão onde as comunidades são excluídas do processo de gestão e tomada de decisões, então esta precisa abrir e trazer para dentro dela os vários intervenientes do processo educativo para que os interesses comuns sejam partilhados de uma forma interativa (Formosinho, 1989). Em Moçambique o envolvimento da comunidade externa nas escolas verifica-se após o período pós-independência quando as primeiras experiências de envolvimento dos pais e encarregados de educação começam a se fazer sentir através das comissões de pais e de ligação escola-comunidade (CLEC) e é reforçada na Lei nº 6/92, de 6 de maio, onde o Estado permite a participação de outras entidades, incluindo comunitárias na gestão do processo educativo incentivando uma maior ligação entre a comunidade e a escola. Os conselhos de escola nascem desta necessidade de abertura da escola às comunidades locais através do Diploma Ministerial nº 54/2003, de 28 de maio, que, no contexto da descentralização administrativa, procura criar maior flexibilidade nos processos de tomada de decisão através duma gestão participativa. A nossa investigação visa compreender como é que os atores implicados no Conselho de Escola percecionam a sua participação nos respetivos processos de tomada de decisão. Realizamos um estudo de cariz qualitativo para interpretar a realidade dentro de uma visão complexa e assim procuramos saber dos participantes as suas perceções através de entrevistas, análise de atas e observação nas reuniões do Conselho de escola. Esboçamos um quadro conceptual integrado para vermos as organizações escolares nas suas diferentes dimensões, nomeadamente ao nível da constituição e funcionamento do conselho, os tipos e modalidades de participação e as formas de tomada de decisão, convocando as perspetivas da burocracia, da anarquia organizada e da democracia, bem como a tipologia de Lima (1998, 2008) sobre a participação. Entre as conclusões do nosso estudo salienta-se que há um bom relacionamento entre os membros do conselho e a escola e também entre os membros dentro do conselho, baseado na abertura e no diálogo e que a escola tem também incentivado os membros a frequentarem as reuniões do conselho. No que diz respeito à perceção dos membros em relação à participação no conselho, podemos dizer que os mesmos revelam uma preocupação com os assuntos tratados e têm procurado contribuir com as suas ideias e opiniões e apresentar algumas soluções. Contudo, as suas opiniões e esforços em contribuir para resolver os problemas não são tidos em consideração e não são valorizados pela diretora da escola. No que diz respeito as formas de participação, destacamos a participação passiva, pelo facto de os membros não terem influência no processo de tomada de decisão, e a participação informal, na medida que a diretora é quem toma as decisões e orienta as discussões. Concluímos ainda que o funcionamento do conselho de escola pode ser lido pelos modelos da anarquia, da hipocrisia e da burocracia e que os assuntos tratados resumem-se a questões pedagógicas, sobretudo questões relacionadas com o comportamento dos alunos e professores. Concluímos finalmente que o conselho tem, no plano normativo, poderes de intervenção na escola que na prática não são materializados.
- O conselho de escola como espaço de participação da comunidadePublication . Ibraimo, Mahomed Nazir; Machado, JoaquimEm Moçambique o envolvimento da comunidade externa nas escolas verifica-se após o período pós-independência quando as primeiras experiências de envolvimento dos pais e encarregados de educação começam a se fazer sentir através das comissões de pais e de ligação escola-comunidade (CLEC). A Lei nº 6/92, de 6 de maio, reforça este envolvimento, preconizando a participação de outras entidades, incluindo comunitárias, na gestão do processo educativo e incentivando uma maior ligação entre a comunidade e a escola. Os conselhos de escola nascem desta necessidade de abertura da escola às comunidades locais através do Diploma Ministerial nº 54/2003, de 28 de maio, que, no contexto da descentralização administrativa, procura criar maior flexibilidade nos processos de tomada de decisão através duma gestão participativa. O estudo aqui apresentado resulta de uma investigação no âmbito de doutoramento e visa compreender como é que os atores implicados no Conselho de Escola duma escola secundária percecionam a sua participação nos respetivos processos de tomada de decisão. Tratando-se de um estudo qualitativo de caráter exploratório para interpretar a realidade dentro de uma visão complexa, recorremos a entrevistas, análise de atas e observação nas reuniões do Conselho de escola. Os resultados indicam que há um bom relacionamento entre os membros do conselho e a escola, bem como entre os membros dentro do conselho, e que a escola incentiva a presença nas reuniões. Indicam também que os assuntos tratados resumem-se a questões pedagógicas, sobretudo questões relacionadas com o comportamento dos alunos e professores, e que os membros se preocupam com esses assuntos e procuram contribuir com ideias e opiniões e apresentar algumas soluções, valorizadas pela direção quando alinhadas com a orientação estabelecida. Na verdade, é a diretora quem toma as decisões e orienta as discussões, tendo a participação dos membros nas reuniões do conselho de escola pouco impacto no processo de tomada de decisão. Os dados obtidos avalizam uma leitura da escola a partir das perspetivas da burocracia, da micropolítica, da anarquia e da hipocrisia nas organizações.
- Currículo local – entre a retórica do prescrito e a realidade concretaPublication . Ibraimo, Mahomed Nazir; Cabral, IlídiaThe ministry of education of Mozambique launched, in 2003, the third curricular reform of basic schooling, aiming to connect schools and the communities and to introduce a local curriculum at schools. The introduction of the local curriculum intended to enable the community to participate in the schooling of children through the identification and integration of local knowledge. In that sense, in this research we try to understand how the community is actually involved in the identification and integration of local knowledge and which strategies are being used by schools so that community can actively participate in this process. The research consists of a multiple case study. In conceptual terms we have defined as key concepts school organization, participation and curricular development.
- Práticas de autoavaliação e a melhoria da qualidade no ensino superiorPublication . Ibraimo, Mahomed Nazir; Alves, José MatiasA auto-avaliação no ensino superior pode contribuir para melhorar as práticas de ensino, investigação e serviço à comunidade nas instituições de ensino superior. Em Moçambique, a auto-avaliação foi introduzida pelo Decreto No 63/2007, de 31 de Dezembro. Para implementar os objectivos definidos neste decreto foi criado o Conselho Nacional de Avaliação de Qualidade do Ensino Superior (CNAQ). Este órgão está alinhado com a reforma introduzida pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, Ensino Superior e Técnico Profissional (MCTESTP), através da Lei no 27/2009. A Universidade Católica de Moçambique tem desenvolvido diversas acções no sentido de garantir a auto-avaliação nas suas Faculdades no sentido de cumprir com as orientações prescritas pelo CNAQ. Neste sentido, definimos como objectivo da pesquisa, analisar as práticas de auto-avaliação e a melhoria da qualidade de ensino numa instituição de ensino superior em Nampula. Tendo em conta a natureza da problemática levantada, onde pretendemos interpretar e compreender as percepções dos actores envolvidos, optamos por inscrever a investigação num paradigma interpretativo e numa metodologia qualitativa. Como instrumentos de recolha de dados irá usar-se a entrevista semiestruturada, o grupo de discussão focalizada e a análise documental. Para analisar as informações provenientes das técnicas seleccionadas iremos usar a análise de conteúdo como técnica de análise de dados. Os resultados preliminares do nosso estudo indicam que os coordenadores entrevistados, tem noções do conceito de auto-avaliação e entendem que esta prática é importante para melhorar o processo de ensino, investigação e serviço à comunidade. A Faculdade em estudo tem feito a auto-avaliação dos seus cursos e nesta actividade são vários os actores que fazem parte, desde estudantes, professores, coordenadores e entidades empregadoras. A auto-avaliação tem contribuído para melhorar as práticas de ensino, não sendo evidente os impactos na melhoria da investigação e serviço à comunidade.
