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The European Union-Russia relationship : has the EU moved away from a liberal stance towards a realist one after the war in Ukraine?

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Resumo(s)

This dissertation investigates whether the European Union has shifted from a predominantly liberal approach to a more realist posture in its relations with Russia following the full-scale invasion of Ukraine in February 2022. Drawing on the theoretical debates of liberalism, realism, and normative power, it traces the EU’s policy evolution from the optimism of the 1990s to the geopolitical awakening of the 2020s. The study first examines the foundations of EU–Russia relations through agreements such as the Partnership and Cooperation Agreement (1997) and the Common Strategy on Russia (1999), which reflected the EU’s liberal values and belief that most states would enjoy becoming liberal democracies. It then considers the limits of this framework, exposed by the 2008 Georgia war and the 2014 annexation of Crimea, when sanctions and energy dependence revealed both EU divisions and Russian assertiveness. Ukraine forms a central case study, showing the Union’s gradual move from the European Neighbourhood Policy and the Eastern Partnership towards deeper integration through the Association Agreement and the Deep and Comprehensive Free Trade Area, culminating in the decision to grant Ukraine candidate status in 2022. The analysis demonstrates that the invasion prompted unprecedented measures: the adoption of the Strategic Compass, the European Peace Facility, and EUMAM Ukraine; record defence spending and common procurement initiatives; the most extensive sanctions regime in EU history; and new global strategies such as the Global Gateway and the European Economic Security Strategy. The findings suggest not a complete abandonment of liberal ideals but a hybridization of liberal and realist logics. While the EU continues to emphasize international law, values, and enlargement conditionality, it increasingly relies on hard power and economic statecraft. February 2022 thus marked both the end of the EU’s liberal partnership with Russia and the beginning of its emergence as a geopolitical actor with Ukraine at the centre of its strategic vision.
Esta dissertação investiga se a União Europeia passou de uma abordagem predominantemente liberal para uma postura mais realista nas suas relações com a Rússia após a invasão à Ucrânia em fevereiro de 2022. Com base nas teorias da disciplina de relações internacionais, mencionamos o liberalismo, realismo e poder normativo, analisando-se a evolução da política da UE desde o otimismo dos anos 1990 até ao despertar geopolítico da década de 2020. O estudo examina, em primeiro lugar, os fundamentos das relações UE–Rússia através de acordos como o Acordo de Parceria e Cooperação (1997) e a Estratégia Comum para a Rússia (1999), que refletiam a confiança liberal da União nos seus valores e ideais, tal como na eventual vontade de outros países praticarem esses mesmos valores. Em seguida, considera-se os limites desse quadro, expostos pela guerra da Geórgia em 2008 e pela anexação da Crimeia em 2014, quando as sanções e a dependência energética revelaram tanto as divisões internas da UE como a assertividade russa. A Ucrânia constitui o estudo de caso central, demonstrando a evolução gradual da relação da União desde a Política Europeia de Vizinhança e a Parceria Oriental até uma integração mais profunda através do Acordo de Associação e da Área de Comércio Livre Abrangente e Aprofundado, culminando na concessão do estatuto de candidato em 2022. A análise demonstra que a invasão desencadeou medidas sem precedentes: a adoção da Bússola Estratégica para a Segurança e Defesa, a criação do Mecanismo Europeu para a Paz e da Missão de Assistência Militar da UE (EUMAM Ukraine); níveis recorde de despesa em defesa e iniciativas de aquisição conjunta; o mais extenso regime de sanções da história da UE; e novas estratégias globais como a Global Gateway e a Estratégia Europeia de Segurança Económica. Os resultados sugerem não um abandono completo dos ideais liberais, mas uma junção entre lógicas liberais e realistas. Embora a UE continue a dar importância máxima ao direito internacional, os valores e a condicionalidade do alargamento, recorre cada vez mais ao poder militar e ao poder associado ao seu mercado interno. Fevereiro de 2022 marcou, assim, tanto o fim da parceria liberal com a Rússia como o início da sua afirmação como ator geopolítico, tendo a Ucrânia como combustível para esta alteração estratégica.

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