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Influência das TIC na transição para a conjugalidade : estudo qualitativo com casais utilizadores de dating APPS

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O impacto a longo prazo da mediação tecnológica de relações amorosas através da utilização de dating apps, tem gerando muita discussão, mas foi ainda pouco explorado através da relação entre a Teoria Crítica e o Modelo Relacional-Simbólico. Para entender melhor como isso acontece no contexto da transição para o casamento, foi realizada uma investigação qualitativa e exploratória, recorrendo a um estudo de caso múltiplo com quatro casais heterossexuais que se encontraram em plataformas digitais como mIRC, Tinder e Felizes.pt. Os instrumentos utilizados foram: a Entrevista Clínica Geracional e o Genograma para aceder às dimensões simbólicas e transgeracionais das suas histórias. A análise temática resultou em 1542 códigos organizados em 13 categorias, com destaque para "Herança Transgeracional" (28,7%) e "Pacto Conjugal" (12,7%). Os resultados mostram que as escolhas amorosas são guiadas por um vetor ético de reparação transgeracional, que funciona como um ato de justiça nas relações devido às dívidas relacionais herdadas. As dinâmicas nos relacionamentos não diferem muito do que se observa na construção de qualquer vínculo duradouro. Ficou evidente que a experiência amorosa é dialética: as plataformas trazem mercantilização e racionalização que geram ansiedade por hiperescolha, mas os indivíduos desenvolvem estratégias de resistência simbólica, reinventando o amor numa economia de cuidado e autenticidade. Este estudo dialoga com a sociologia de Giddens e Illouz, mostrando que estes modelos não capturam totalmente o fenómeno. O amor contemporâneo é ao mesmo tempo reflexivo, mercantilizado e criativo - ético, enraizado na história e voltado para o futuro.
The long-term impact of the technological mediation of romantic relationships through the use of dating apps has generated considerable discussion, but it has still been scarcely explored through the relationship between Critical Theory and the Relational-Symbolic Model. To better understand how this occurs in the context of the transition to marriage, a qualitative and exploratory study was conducted, using a multiple case study design with four heterosexual couples who met on digital platforms such as mIRC, Tinder, and Felizes.pt. The instruments used were: the Clinical Generational Interview and the Genogram to access the symbolic and transgenerational dimensions of their narratives. Thematic analysis yielded 1,542 codes organized into 13 categories, with emphasis on "Transgenerational Heritage" (28.7%) and "Conjugal Pact" (12.7%). The results show that romantic choices are guided by an ethical vector of transgenerational reparation, functioning as an act of relational justice in response to inherited emotional debts. The dynamics within relationships do not differ significantly from those observed in the construction of any lasting bond. It became evident that the romantic experience is dialectical: platforms introduce commodification and rationalization that generate anxiety through hyperchoice, but individuals develop strategies of symbolic resistance, reinventing love within an economy of care and authenticity. This study engages with the sociology of Giddens and Illouz, demonstrating that these models do not fully capture the phenomenon. Contemporary love is at once reflexive, commodified, and creative — ethical, rooted in history, and oriented toward the future.

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Palavras-chave

Pacto conjugal Dating apps Herança transgeracional Rituais de intimidade Capitalismo emocional Resistência simbólica Dating app Conjugal pac Transgenerational heritage Intimacy rituals Emotional capitalism Symbolic resistance

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