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Actor e câmara são dois elementos narrativos de relevo para a construção da obra
cinematográfica. A sua associação, enquanto referente e aparelho que processa a imagem do
referente, pode conhecer diferentes espaços de expressão, e induzir diferentes significados a
partir do modo concrecto como se relacionam.
Como se relacionam câmara e interpretação do actor na obra cinematográfica? Para a
resposta a esta problemática central, a investigação incidiu primeiramente na caracterização
dos dois pólos da comparação – câmara e actor – de forma isolada. O passo seguinte consistiu
na promoção de uma ligação, através de uma contextualização histórica, prosseguindo de
seguida para a reflexão, através da experiência e obra do realizador, da relação como unidade
na produção de significado.
A partir deste estudo, torna-se claro que através da operação da câmara, pela
proximidade e afastamento, o realizador induz uma atenção mais ou menos íntima do
espectador em relação ao actor e personagem. Do mesmo modo, pela movimentação do seu
enquadramento, é-lhe possível indicar ou sugerir a emoção da personagem, o seu pensamento,
ou pormenores exteriores ao corpo do actor que são relevantes para a sua interpretação. No
entanto, a maior intervenção da técnica na construção do enredo estipula um saldo discrepante
na relação entre câmara e actor. Este balanço tem como consequência uma
desresponsabilização narrativa deste, um menor espaço de expressividade, assim como uma
menor atenção do espectador. Enquanto que há realizadores que preferem manter o equilíbrio,
outros admitem que a sua obra beneficia pela manutenção de um maior poder da câmara e do
aparelho visual sobre a actuação.
Em jeito de conclusão, e a partir deste estudo, torna-se possível admitir que existe de
facto uma relação entre câmara e interpretação do actor, e compreender quais as suas
principais regras de influência, e consequências. No entanto, o motivo que define a interacção
situa-se invariavelmente nas intenções que o realizador transporta para o filme, razão pela
qual permanece impossível uma definição universal da simbiose, conhecendo cada obra um
específico e único molde.
