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Orientador(es)
Resumo(s)
Os estados afetivos negativos, como a depressão, a ansiedade, a hostilidade e a raiva têm sido estudados como estando associados aos comportamentos sexuais de risco, como por exemplo, a precocidade do início da vida sexual, o ter tido uma infeção sexualmente transmissível (IST), o uso inconsistente do preservativo, multiplicidade de parceiros entre outros. Estes comportamentos sexuais de risco vulnerabilizam o indivíduo face à aquisição do vírus da imunodeficiência humana (VIH). Uma das características essenciais do VIH, que faz dele objeto preferencial de estudo e intervenção por parte das ciências sociais, é o fato de ser uma infeção cujo agente se transmite e previne através de um fator comum: o comportamento. Nesse âmbito, a necessidade de prevenção do VIH levou a que se procurasse identificar fatores de risco comportamental em vários níveis. Pessoas que se encontram em estados afetivos negativos (e.g., depressão, ansiedade, raiva e hostilidade) são mais vulneráveis à infeção pelo VIH porque estão mais propensas a praticarem comportamentossexuais de risco. No momento da tomada de decisão, os estados afetivos positivos ou negativos têm influência substancial sobre os comportamentos de risco dos indivíduos. A influência negativa da afetividade na capacidade de tomada de decisão para os seus comportamentos deriva da interação entre a resposta afetiva e comportamento de simplificação cognitiva, ou seja, a redução dos níveis de complexidade cognitiva devido a recursos mentais atribuídos à resposta afetiva, estimulam o indivíduo a simplificar a informação. O presente estudo focou-se na influência dos estados afetivos negativos nos comportamentos sexuais de risco, analisando as relações entre a depressão, ansiedade, hostilidade, raiva, género, escolaridade, orientação sexual, uso de substâncias e o seu impacto nos comportamentos sexuais de risco (uso inconsistente do preservativo, sexo sob o efeito de substâncias e número de parceiros), em utentes dos cuidados de saúde primários do norte de Portugal. Os resultados revelam a existência de uma relação positiva e significativa entre depressão, ansiedade, hostilidade, raiva e o uso inconsistente do preservativo, sexo sob o efeito de substâncias e número de parceiros. Maior escolaridade relacionou-se negativamente com os comportamentossexuais de risco para o VIH. Verifica-se assim uma associação positiva entre os estados afetivos negativos e a presença de comportamentos sexuais de risco, sendo a escolaridade um fator protetor. Por fim, a depressão, a ansiedade, a raiva, a hostilidade foram preditores positivos dos comportamentos sexuais de risco no modelo de regressão. Estes dados sublinham a importância de intervir no domínio do tratamento dos estados afetivos negativos para diminuir os comportamentos sexuais de risco. Pretende-se assim, com este estudo contribuir para um melhor conhecimento acerca das variáveis psicológicas nos comportamentos sexuais de risco, fornecendo diretrizes para programas de prevenção de IST e VIH.
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Palavras-chave
Contexto Educativo
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Editora
Universidade do Minho
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