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A autoperceção do envelhecimento e as tecnologias digitais: entre a inadequação e a agência

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A sociedade portuguesa está envelhecendo e se tornando cada vez mais digitalizada. Segundo dados do Instituto PORDATA, a população idosa em Portugal tem crescido mais de dois por cento ao ano, tornando o país o segundo mais envelhecido da Europa e o quarto do mundo. Por outro lado, os serviços da administração pública e privada vêm investindo na digitalização e na dataficação, especialmente desde a pandemia de Covid- 19, como forma de oferecer mais agilidade e redução de custos na prestação de informações e serviços (Rosales et al., 2023). Com o objetivo de identificar os desafios e preconceitos enfrentados pela população portuguesa envelhecida diante da digitalização, realizamos think tanks com dois grupos de idosos, um em Oeiras (região metropolitana de Lisboa) e outro na Covilhã (no interior de Portugal). A análise das sessões demonstrou a presença do idadismo digital como um traço sociocultural transversal aos contextos analisados, mas, ao mesmo tempo, revelou que as maneiras como as pessoas envelhecidas reagem aos preconceitos e estereótipos de idade podem ser diversos e oscilam entre o sentimento de inadequação decorrente da exclusão digital e a avaliação crítica como expressão de uma agência política que questiona a digitalização compulsória da vida social.
Portuguese society is aging and becoming increasingly digitalized. According to data from PORDATA, the elderly population in Portugal has been growing by more than two percent per year, making the country the second most aged in Europe and the fourth in the world. On the other hand, public and private administration services have been investing in digitalization and datafication, especially since the COVID-19 pandemic, as a way to offer greater efficiency and reduce costs in the provision of information and services (Rosales et al., 2023). With the aim of identifying the challenges and prejudices faced by Portugal’s aging population in the context of digitalization, we conducted think tanks with two groups of older adults: one in Oeiras (Lisbon metropolitan area) and another in Covilhã (in the interior of Portugal). The analysis of the sessions demonstrated the presence of digital ageism as a sociocultural trait that cuts across the contexts analyzed. At the same time, it revealed that the ways older people respond to age-related prejudices and stereotypes are diverse, ranging from feelings of inadequacy resulting from digital exclusion to critical evaluation as an expression of political agency that questions the compulsory digitalization of social life.

Descrição

Palavras-chave

Envelhecimento Idadismo digital Tecnologias digitais Think tank

Contexto Educativo

Citação

Noronha, E. C., & Cardoso, E. P. (2026). A autoperceção do envelhecimento e as tecnologias digitais: entre a inadequação e a agência. Diffractions, (11), 116-129. https://doi.org/10.34632/diffractions.2026.18102

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