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Não se Vence a Natureza

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Esta comédia de três actos, e em verso, da qual, até ao presente, não se conhece qualquer publicação, não apresenta informação de autor, sendo mais uma cópia autógrafa de António José de Oliveira, prolífico escriba de teatro da segunda metade do século XVIII. Contudo, no Fundo da Real Mesa Censória (Livro 5, f. 179v; Caixa 21, doc. 16), no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, existe registo de um requerimento de António José de Paula, figura polifacetada do teatro português enquanto autor, tradutor, intérprete e director, solicitando licença para a representação desta comédia. Aventamos, então, o seu nome como possível autor/tradutor. Um dado curioso acerca do texto é a acção desenrolar-se em Ferrara, a que acresce o facto de os nomes das personagens, Aurora, Roberto, Silvano, etc., também não desmerecerem de uma apenas conjecturável ascendência italiana. A intriga é essencialmente amorosa, centrando-se nos obstáculos que os enamorados, Carlos e Aurora, enfrentam, os quais assumem pontualmente contornos tão trágicos que justificam o impulso suicida de Carlos numa cena do último acto. O eixo cómico, ainda assim igualmente dominante, é assegurado pela acentuada rusticidade da personagem Silvano, que é aqui explorada até às últimas consequências de modo a fazê-la coincidir com uma imbecilidade exorbitante. O contraste entre Carlos e Silvano é enorme, com o primeiro a enunciar longas tiradas líricas e o segundo a asneirar em todos os sentidos, proferindo falas tão escandalosas quanto descabidas. A primícia geral que subjaz a esta comédia vai em sentido oposto à ideologia do bon sauvage de Jean-Jacques Rousseau: nem sempre o que é natural é bom e melhor, e, pelo menos em certos casos, a sociedade, a cultura e o ensino de nada valem perante uma natureza menor, como é a de Silvano.

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Contexto Educativo

Citação

NÃO SE VENCE A NATUREZA. Transcrição e introd. de Isabel Pinto. Lisboa : Centro de Estudos de Comunicação e Cultura, 2014. ISBN 978-989-98248-6-7

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