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Orientador(es)
Resumo(s)
Introdução: Se o efeito mais visĂvel do terramoto do primeiro de novembro de 1755 foi a quase destruição da capital portuguesa, incontestĂĄvel foi a dramĂĄtica existĂȘncia de milhares de vĂtimas e a dor que ocasionou. O sismo que devastou a capital do reino nĂŁo escolheu gĂ©nero, nacionalidade, idade ou posição social. Todos foram atingidos em maior ou menor proporção. Os que conseguiram sobreviver deixaram relatos que nos ajudam a perceber o que se passou. Ficaram conhecidas algumas das medidas tomadas pelas autoridades civis de Lisboa, sob a forma de Avisos, Portarias, Decretos e Ordens, contendo as principais providĂȘncias para debelar e controlar os efeitos imediatos do cataclismo. O Rei convocou cirurgiĂ”es e enfermeiros para tratar os feridos que estivessem em casas de religiosos e noutros locais da cidade e determinou que para esse efeito usassem a botica do hospital. Solicitou ainda que aqueles profissionais, alĂ©m do que era suposto levarem para tratar os ferimentos, tambĂ©m transportassem alimentos para distribuir pelas pessoas que deles necessitassem. Foram convocados todos os artĂfices para colaborarem na causa pĂșblica e urgente de dar sepultura aos mortos e preservar a saĂșde dos vivos, que se encontrava ameaçada pela corrupção dos corpos. Nos tempos que se seguiram ao terramoto do primeiro de novembro, Lisboa mobilizou-se para ajudar os sobreviventes e, mesmo sabendo que os riscos que corriam eram elevados, os que sobreviveram tentaram retirar os soterrados nos escombros. Objetivos: Perceber como agiu o povo de Lisboa perante a catĂĄstrofe, procurando evidenciar a componente solidĂĄria com as vĂtimas do terramoto. MĂ©todos: Pesquisa documental em fontes manuscritas e impressas efetuada atravĂ©s de uma abordagem sistemĂĄtica, por meio de recolha, organização e avaliação crĂtica de dados que tĂȘm relação com ocorrĂȘncias do passado. Resultados: Foram encontrados inĂșmeros registos de atos de solidariedade, realizados nĂŁo sĂł por pessoas do povo, mas tambĂ©m por fidalgos e nobres. Os que tinham casas no campo que nĂŁo foram afetadas pela calamidade ofereceram sustento e habitação. Muitos nobres com palĂĄcios fora de Lisboa disponibilizaram os seus terrenos para que os mais necessitados os ocupassem; mesmo os considerados mais avarentos tiveram gestos de grande generosidade para com os necessitados. Dentre os nobres portugueses que ajudaram, conta-se D. JoĂŁo de Bragança, primo de D. JosĂ© e irmĂŁo do Duque de LafĂ”es, que, percorrendo a cidade durante vĂĄrios dias, por entre os edifĂcios arruinados, ajudou nas operaçÔes de resgate e salvamento. Monsenhor Sampayo, Prelado da Igreja Patriarcal, fez o mesmo, acompanhado de algumas pessoas, durante vĂĄrias semanas, tendo sepultado 240 cadĂĄveres. Os homens de negĂłcios, desembargadores e as mais distintas pessoas apoiavam os mĂ©dicos e cirurgiĂ”es e ajudavam com medicamentos e alimentação. Os religiosos, por incumbĂȘncia do Cardeal Patriarca de Lisboa, prestaram apoio espiritual e ao terceiro dia apĂłs o terramoto, depois de retirarem os corpos das ruĂnas, começaram a dar-lhes sepultura. Todas as congregaçÔes de religiosas abriram as suas portas para acolherem centenas de famĂlias. ConclusĂŁo: A população respondeu positivamente aos apelos das autoridades para participar no socorro Ă s vĂtimas. Estes atos consistiram, sobretudo, na assistĂȘncia e no salvamento das vĂtimas, na prestação de serviços mĂ©dicos e no transporte de vĂtimas, no apoio espiritual e na realização de serviços mortuĂĄrios. A solidariedade nos tempos que se seguiram ao terramoto foi uma realidade. A rainha D. Mariana VitĂłria de Bourbon e as suas filhas, por exemplo, tambĂ©m colaboraram no auxĂlio aos doentes, cosendo roupa e desfiando panos, o que serviu de estĂmulo para muitas senhoras da corte, que viram nesta atitude da famĂlia real o mote para tambĂ©m se dedicarem a âtĂŁo piedoso exercĂcioâ.
Descrição
Palavras-chave
Lisboa Solidariedade Terramoto
Contexto Educativo
Citação
Ferreira, A., & Esteves, A. (2015). AssistĂȘncia em tempos difĂceis: o terramoto de 1755. In M. M. Vieira, B. AraĂșjo, & S. Deodato (Eds.), 9th International Seminar on Nursing Research proceedings (pp. 34-34). Universidade CatĂłlica Portuguesa.
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Universidade CatĂłlica Portuguesa
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