Percorrer por autor "Ramos, Diogo Miguel Carvalho"
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- O sol e o peregrino em ISE : um estudo moderno da peregrinação xintoísta a ISE, no Japão do século XXIPublication . Ramos, Diogo Miguel Carvalho; Barrento, António Eduardo HawthorneA peregrinação a Ise, conhecida por Isemairi, é uma viagem que data dos finais do século VIII, nos inícios do período Heian, onde cidadãos do estrato mais elevado da sociedade se dirigiam até à cidade de Ise para venerar uma das kami mais importantes do reino, Amaterasu Ōmikami. Associada ao sol, esta divindade era considerada uma antepassada do Imperador e da família imperial, o que fazia do seu espaço sagrado em Ise, conhecido por Ise Jingū (Grande Santuário de Ise) um complexo de santuários restrito para o povo japonês. Após a sua abertura a este, em finais do século XXI, a sua importância manteve-se durante nove séculos, onde actualmente é um dos santuários mais importantes de todo o Japão. Em 2013, o Ise Jingū foi alvo de 14 milhões de visitantes, um aumento de cerca de 12 500 000 milhões quando comparado com o ano de 1886 e que, segundo as estatísticas do turismo de Ise para o período entre 1886 e 2014, nunca havia sido alcançado. Verificando-se este aumento, que deve ser visto em função da contemporaneidade e especificamente como um resultado de novas realidades ao nível da existência e utilização do tempo livre e do desenvolvimento dos meios de deslocação, colocam-se no entanto questões quanto à continuidade e à evolução do que tem sido ao longo dos séculos uma das experiências de maior dimensão ao nível do fenómeno da peregrinação no Japão, com particular importância por exemplo durante o período Tokugawa. Através da participação num programa denominado Programa de Ise, criado pela Universidade de Kogakkan em Ise, foi-me permitido passar um mês nesta cidade, junto ao Ise Jingū e do seu santuário que mais visitantes recebe por ano, o Naikū (Santuário Interior). Com o auxílio de aulas, visitas e disponibilidade por parte de profissionais e de habitantes, foi-me possível recolher informações sobre Ise, nomeadamente através de um pequeno estudo de campo, concretizado através da dedicação de quatro dias exclusivamente para a exploração e observação do Naikū e dos seus visitantes. Ao Ise Jingū encontram-se associadas três realidades distintas, religiosa, protagonizada pela crença xintoísta nos kami; patriótica, graças à divindade do Naikū da qual toda a família imperial descende; e turística, presente nos inúmeros locais da cidade que tira proveito da fama deste grande complexo de santuários para desenvolver indústrias turísticas que contribuem para o desenvolvimento e para a imagem de toda a região de Ise-Shima. Estas mesmas realidades foram escolhidas como hipóteses capazes de representar o verdadeiro motivo pelo qual inúmeros peregrinos realizam a Isemairi. Assim, a problemática desta tese centra-se nos significados por detrás da Isemairi, na tentativa de averiguar qual os motivos para a sua realização no Japão do século XXI.
