Percorrer por autor "Ferreira, Marta Luísa Moreira"
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- Transferência passiva de isoaglutininas em transfusão de plaquetas ABO MINOR incompatíveisPublication . Ferreira, Marta Luísa Moreira; Costa, Elísio; Corrondo, Maria Luísa Borregana Lopes dos Santos TeixeiraA presença de isoaglutininas anti-A e anti-B da classe IgG em concentrados plaquetários pode conduzir a reacções transfusionais hemolíticas devido à transferência passiva destes anticorpos, especialmente quando presentes em alto título. Não existe consenso acerca de qual o título crítico, mas alguma literatura considera valores ≥256 como “alto título”. A transferência passiva de isoaglutininas com significado clínico pode ocorrer após transfusão de componentes sanguíneos com incompatibilidade ABO minor, ou seja, quando doentes do grupo sanguíneo A, B ou AB são transfundidos com componentes sanguíneos do grupo O. O principal objectivo deste trabalho é o de estabelecer o título de anti-A e anti-B da classe IgG a partir do qual a transferência passiva destas isoaglutininas pode ter significado clínico, após transfusão de Concentrados Plaquetários de Aférese (CP-A) do grupo O em doentes do grupo sanguíneo A, B ou AB. Para tal, foram executados testes em duas etapas independentes mas inter-relacionadas. Entre 1 de Junho e 30 de Novembro de 2010, foram determinados manualmente os títulos de anti-A1 e anti-B da classe IgG em todas as unidades de CP-A do grupo O (n=83), colhidos no Serviço de Medicina Transfusional (SMT) do IPO-Porto, com base na metodologia de hemaglutinação em gel, com reagentes e material comercializado pela Diamed®. Foram ainda estudadas as amostras de doentes do grupo A, B ou AB transfundidos com os CP-A cujo título tinha sido determinado (n=21). O Teste de Antiglobulina Directo (TAD) foi realizado em amostras pré-transfusionais e em amostras até 24 horas após a transfusão destes componentes. Nos casos de resultados positivos do TAD, foi determinada a classe do anticorpo existente. Perante um anticorpo da classe IgG, foi realizado um eluado eritrocitário para caracterizar o tipo de isoaglutinina (anti-A1 e/ou anti-B). Nos 83 dadores, os títulos de anti-A1 variaram entre 8 (1,2%) e 2048 (2,4%), com o título 128 como o mais frequente (24,1%). Os títulos de anti-B variaram entre 2 (1,2%) e 1024 (4,8%), com 64 como o valor mais frequente (25,3%). Destes 83 dadores, 21 (25,3%) apresentavam apenas altos títulos de anti-A1, 8 (9,6%) apresentavam apenas altos títulos de anti-B e 7 (8,4%) apresentavam altos títulos de anti-A1 e anti-B em simultâneo. Do total de dadores estudados, verificou-se que 36 (43,3%) eram dadores de “alto título” de isoaglutininas. Das 21 amostras de doentes analisadas, 4 revelaram TAD Positivo por IgG após transfusão de CP-A. Destas 4 amostras, apenas 1 revelou a presença de anti-A1 no eluado eritrocitário. Não foi encontrada qualquer relação entre o título de isoaglutininas e a transição do TAD de negativo a positivo, nem foram relatadas reacções transfusionais hemolíticas após transfusão de CP-A do grupo O. Dos 21 casos, 76,2% responderam com aumento na contagem plaquetária pós-transfusional. Com este estudo, não foi possível determinar o título crítico de isoaglutininas anti-A1 e anti- B a partir do qual a transferência passiva adquire significado clínico. No entanto, foi possível identificar que 43,3% dos dadores apresentaram títulos de anti-A1 e/ou anti-B ≥256, considerados como dadores de alto título.
