Percorrer por autor "Costa, Anabela Moura Martins da"
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- Vinculação, aliança terapêutica e mudança em psicoterapiaPublication . Costa, Anabela Moura Martins da; Lima, Vânia Andrea Sousa Gonçalves MoreiraA mudança constitui-se como o principal objetivo da intervenção psicoterapêutica e não obstante a diversidade de conceptualizações sobre a mesma e de métodos utilizados para a avaliar, o estudo sobre o processo de mudança e o contributo de alguns fatores comuns, em psicoterapia, para a mesma, tem vindo a obter um interesse crescente. A teoria da vinculação proposta por Bowlby (1973) e o seu contributo sobre os modelos internos dinâmicos parece constituir-se como um enquadramento adequado à exploração da relação entre cliente e terapeuta, sendo que a investigação sobre mudança em psicoterapia sob a matriz desta teoria encontra-se em desenvolvimento. O presente estudo de caso, de cariz exploratório tem como objetivo geral a compreensão da relação estabelecida entre a organização da vinculação do indivíduo, a aliança terapêutica e a mudança terapêutica, no âmbito de um processo psicoterapêutico individual. A participante deste estudo foi uma mulher de 39 anos, que iniciou um processo psicoterapêutico, tendo sido audiogravadas e transcritas a totalidade das sessões terapêuticas à exceção da primeira. Após a primeira sessão, foi realizada a AAI, Adult Attachment Interview e administrado o BSI, Brief Symptom Inventory, no final das sessões 4 e 8 foi administrado o WAI, Working Alliance Inventory e no final da sessão 8 foi realizada uma entrevista de Exploração e Mudança e administrado o BSI. Os resultados evidenciam que a organização da vinculação da participante, classificada como preocupada, influencia o modo de se percecionar a si mesma, de se relacionar com os outros, e consequentemente de perspetivar e efetivar mudança, mas não obstaculiza a sua adesão à terapia e o seu processo de autoexploração. Ao longo do processo, sublinha-se a obtenção de insight relativamente à forma como se autoperceciona, resultado terapêutico valorizado por si, tendo ainda conseguido alguma melhoria ao nível do humor. A participante estabeleceu aliança terapêutica no início do processo psicoterapêutico, com scores médios, tendo diminuído ligeiramente ao longo do mesmo, valorizando a confiança na competência da terapeuta e destacando o caracter incisivo das intervenções da terapeuta, a ironia e a confrontação, como as características da relação terapêutica promotoras de mudança. Os resultados corroboram a conclusão de que os MID são difíceis de mudar, tendendo a operar automaticamente, consequência da história de vinculação de cada um, sendo que conhecer a organização de vinculação dos clientes pode ajudar os terapeutas a criar um contexto relacional que facilite a segurança da relação, ajustando o seu comportamento, momento a momento, de modo a serem percebidos como uma base segura ou redefinindo cursos de ação alternativos.
