Browsing by Author "Ribeiro, Maria Alice de Jesus Lopes"
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- Em demanda da melhoria das práticas profissionais : análise reflexiva de um percursoPublication . Ribeiro, Maria Alice de Jesus Lopes; Ribeiro, CéliaO presente trabalho apresenta uma forma de organização da narrativa compatível com a construção discursiva, uma vez que consiste num recuo no tempo para evocar factos passados, em diversas etapas, e apresenta-os conjugados com informação atualizada, de modo a promover a reflexão. Destacar momentos cruciais desse percurso profissional é motivo para uma aturada e imprescindível reflexão. De entre tantas vivências torna-se difícil lembrar de todos os momentos ou situações cuja explanação poderia revestir interesse. Também não é simples isolar algumas dessas experiências, destacando-as, conferindo-lhes, pelo menos aparentemente, maior relevância. Tentámos apartar emoções para que a seleção fosse mais objetiva e permitisse a reflexão e uma fundamentação teórica mais profícuas. Como princípio organizador resolvemos apresentar as fases do nosso percurso profissional numa perspetiva cronológica, destacando o desempenho de alguns cargos, de algumas funções, conquistas e/ou dificuldades. Ainda assim, de entre tudo aquilo que podíamos abordar, isolámos as temáticas que, a nosso ver, apresentam correlações e primam pela sua atualidade, e colocámo-las como cerne da nossa exposição e reflexão. Falar de formação contínua, de avaliação de docentes, de coordenação de departamento ou de supervisão, não pode ser feito de forma estanque, pois são conceitos que estão interligados e nem a adoção de uma perspetiva cronológica anula essa interdependência. Começamos com uma alusão relativa aos conceitos de escola e de ser professor, explanando alguns dos aspetos que se nos afiguraram relevantes. Relativamente ao conceito de escola enquanto instituição, ocupámo-nos com a constatação da sua evolução ao longo das últimas décadas, sobretudo no que concerne ao público a quem servia e nos dilemas trazidos pela incontestável alteração do mesmo. A reflexão feita a propósito do que é ser professor começa com a alusão a um assunto muito em voga e que se prende com a tentativa de determinar a identidade profissional dos professores. A resposta a esta questão reside, pelo menos em parte, na tentativa de solucionar os problemas surgidos com a generalização da escolarização. A escola direcionada para uma elite abre-se à sociedade, sem que se tenha verificado uma preparação eficaz para essa mudança. Ousámos também tentar perceber o que está subjacente à existência de tão ampla disparidade quer no modo de conceber o ensino, quer na entrega, na disponibilidade, na aceitação ou na rejeição dos modelos de avaliação e outros detalhes afins. Fazemos uma breve referência à formação inicial para salientar a sua importância. Uma vez que não constitui objeto da presente reflexão, avançamos para a descrição do estágio pedagógico, que entendemos ser uma das etapas mais determinantes na vida de um professor. Enaltecemos a postura profissional do orientador, referenciando a empatia recíproca, a validade do trabalho desenvolvido e dos seus reflexos nas nossas práticas. Mencionamos depois o processo de avaliação que vigorava, a propósito da nossa discordância face ao mesmo. Quando finalmente apareceu um modelo de avaliação de docentes, muitos foram os fatores que surgiram de modo a obstaculizar a sua implementação. Independentemente da nossa posição quanto a questões de pormenor, congratulamo-nos com o princípio que o seu aparecimento denota: a vontade de mudar. O tema da autonomia surge justamente porque nos envolvemos na efetivação das determinações exaradas no decreto-lei n.º 115-A/98, de 4 de maio. Evidencia-se a importância do Plano de Melhoria Gradual no envolvimento de todos os intervenientes no processo educativo, com vista à melhoria dos resultados. As estruturas de gestão intermédia, nomeadamente a coordenação de departamento curricular, tem vindo a assumir um crescendo de funções. Desenvolve, como ponto único, a coordenação de departamento curricular. Esta é uma função de grande importância, o coordenador é o condutor do grupo, deve apresentar características próprias para um desempenho diligente. O exercício do cargo deve assentar em premissas sérias de modo a que os colegas se permitam obter algum conforto na constatação das suas fragilidades e segurança nos momentos de partilha. Defendemos a ideia de que o professor deve estar em constante formação para estar apto a responder aos desafios da escola atual. Explicitamos a necessidade de conhecer o projeto educativo para, em função dos seus objetivos, se poderem determinar as necessidades formativas mais adequadas e prementes. No plano ideal a formação contínua deveria constituir um projeto comum aos docentes de determinada escola, podendo haver uma subdivisão por áreas de lecionação. Defende-se que as atividades formativas envolvendo e mobilizando todos os intervenientes, levam à promoção de cultura assente no trabalho colaborativo, tendo sempre em vista o aperfeiçoamento das práticas e estas conduzirão à melhoria do ensino e da aprendizagem. Referimos vagamente as mudanças introduzidas pelo novo modelo da avaliação do desempenho de docentes, salientando um dos princípios estruturantes consagrados neste paradigma que é a melhoria da qualidade do serviço educativo (quer ao nível das aprendizagens dos alunos quer ao nível do desenvolvimento profissional dos docentes). Ainda no que concerne à avaliação, verificamos que um dos domínios coloca a tónica, conferindo a maior importância, ao desenvolvimento e formação profissional ao longo da vida. Tendo em conta o caráter formativo que perpassa todo o processo de avaliação do desempenho de docentes, verificamos que a ativação de cada um dos conceitos estimula necessariamente o outro. Entre formação e avaliação parece haver uma ligação peculiar que confunde a perceção relativamente à anterioridade ou ao primado dos conceitos, ou seja, eles confundem-se quando queremos separá-los para perceber qual dos dois é a causa e qual é o efeito. A supervisão esteve, durante muito tempo, associada ao ato inspetivo, em que cada uma das partes tinha funções claras de controlo e de sujeição, respetivamente. Esta situação pode ter estado na origem da conotação negativa que a palavra assumiu, significação essa que, aliás, ainda hoje perdura. Apresentamos o conceito e fazemos a apologia da sua efetiva apropriação e implementação no quotidiano das escolas.
