Percorrer por autor "Gama, Maria Georgeana Marques da"
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- O luto profissional nos enfermeirosPublication . Gama, Maria Georgeana Marques da; Vieira, MargaridaO crescente contacto do enfermeiro com a morte em contexto profissional tem sido muitas vezes perspectivado num sentido negativo pelas dificuldades emocionais que desencadeia e pelas consequências de sobrecarga nos profissionais de saúde, conducentes a processos de evitamento relacional e de isolamento social e profissional. A exposição diária à morte e ao processo de morrer, para além da sobrecarga de luto, pode constituir-se num desafio ao crescimento pessoal e profissional dos enfermeiros. Lidar com a morte e o processo de morrer traduz-se fundamentalmente num trabalho de confronto de perdas através de um processo que oscila entre o evitamento e intrusão. A forma como os profissionais de saúde desenvolvem o processo de luto profissional é modelado por variáveis sociodemográficas, pessoais, situacionais, organizacionais, experiência e formação profissional, vivências pessoais e profissionais marcantes. Estas várias determinantes da vida pessoal e profissional dos profissionais de saúde modelam crenças e perspectivas pessoais e existênciais sobre o significado da vida, sobre o medo/ ansiedade e a atitude geral perante a morte influenciando o processo de luto profissional. O estudo tem como finalidade avaliar as consequências do luto profissional com vista a elaborar estratégias formativas com incidência na prevenção da sobrecarga de luto, mas também no estímulo ao crescimento pessoal e profissional e assume duas vertentes essenciais. A construção e validação de um instrumento de medida da sobrecarga de luto profissional (SLP) a que designámos luto insulado e de cuja factorização emergiram 4 dimensões fundamentais: confinamento atormentado, esforço emocional no cuidar, perda nostálgica e partilha incompreendida. Numa segunda fase procurou-se identificar os factores que interferem no processo de luto profissional. O estudo é de natureza quantitativa, transversal, descritivo, correlacional. Foi estudada uma amostra acidental de 360 enfermeiros, respondendo a 70.6% da totalidade de enfermeiros dos serviços de medicina interna, oncologia, hematologia e cuidados paliativos de cinco instituições de saúde do Distrito de Lisboa. Na recolha de dados foram utilizados um questionário sociodemográfico e profissional (QSDE), a versão portuguesa da Death Attitude Profile Scale (DAP-R), a Escala sobre o Sentido de Vida (PIL), a escala de Estilo de Vinculação (EVA), a Escala de Sobrecarga do Luto Profissional (SPL), o Burnout Maslasch Inventory (MAS). Pudemos concluir que a escala de sobrecarga de luto profissional (SLP) constitui um instrumento com bons argumentos de fidelidade (coeficiente alpha de Cronbach = .81) e de validade convergente e discriminante para medir o luto profissional em contexto clínico e epidemiológico. Verificámos como factores determinantes na sobrecarga de luto profissional: idade, o baixo sentido de vida, um estilo de vinculação ansiosa e atitude de medo perante a morte para além da idade, e como factores de crescimento pessoal: um alto sentido de vida e uma vinculação segura. Estes ultimos factores apresentavam níveis significativamente mais elevados nos enfermeiros integrados em equipas de cuidados paliativos quando comparados com outros tipos de serviços hospitalares. A constatação de que estas variáveis se sobrepunham como factores determinantes aos anos de formação e de experiência profissional suscitam a proposição de estratégias de formação específicas na área do luto profissional.
