Percorrer por autor "Corso, Carina Pierro"
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- Pele como suporte, sangue como tinta : um estudo sobre o embodiment num exercício de animação experimentalPublication . Corso, Carina Pierro; Gomes, Sahra Ursula Kunz; Cordas, EkaterinaA presente pesquisa busca, através de um exercício prático realizado em conjunto com cinco participantes, compreender algumas das formas pelas quais a relação espetatorial corpórea se concretiza, tendo como foco a perceção háptica. A investigação prática foi efetivada em diferentes etapas e aproximações, nomeadamente duas conversas e uma intervenção corpórea feita por uma técnica denominada bloodline (tatuagem sem tinta), registrada por meio da captação visual e sonora. Por fim, o material coletado foi editado em formato de experimento animado, numa tentativa de traduzir os assuntos tratados nas conversas por meio de uma experiência multissensorial. A animação, apesar de ser uma prática artística que, tradicionalmente, privilegia majoritariamente a visão e a audição, ao entrar em contacto com o espetador, também afeta todos seus outros sentidos de forma sinestésica, se relacionando com a memória corpórea que ele carrega. O campo experimental da animação, por geralmente ter qualidades materiais mais explícitas e valorizar estímulos sensoriais em sua prática (Taberham, 2019: 24), permite uma leitura do corpo do espetador como um terceiro elemento integrado, inserido não somente como produtor de significado e experiência, mas como um meio através do qual o trabalho artístico se concretiza sensorialmente. Esta forma de atuação da prática da animação experimental, em algum nível, reata a divisão entre corpo e mente que emergiu a partir da ascensão do pensamento Cartesiano, e, posteriormente, Iluminista, os quais foram responsáveis por realizar uma rutura dualista na perceção humana. Apesar do enraizamento de tal tipo de pensamento na sociedade, algumas teorias fenomenológicas e do embodiment compreendem a forma como o ser humano se relaciona de forma corpórea, não somente com qualquer evento que o aconteça, mas também com trabalhos artísticos. O embodiment aplicado à prática da imagem em movimento, estudado extensivamente por autoras como Laura Marks, Jennifer Barker e Vivian Sobchack, estimula uma leitura integrada da participação espetatorial em trabalhos audiovisuais. As teorias que assumem a visualidade corporalizada reconhecem a presença do corpo no ato de visão, produzindo uma noção de que os sentidos e o intelecto agem em conjunto. Assim, é promovido um retorno ao corpo como uma superfície de comunicação e perceção complexa e indivisível, que enxerga o cinema como um tipo de contato, um encontro com o outro (Elsaesser & Hagener, 2010: 110). Tendo estas perspetivas em consideração, as perguntas que guiam esta pesquisa são as que se seguem: de qual forma o embodiment numa animação experimental pode afetar a sua relação com os seus espetadores? A utilização da pele e do sangue como matérias artísticas criam uma relação háptica com o espetador-participante? A valorização e aplicação do conhecimento corpóreo num trabalho artístico é capaz de motivar uma horizontalização nas relações criadas dentro da arte? Como a corporeidade pode auxiliar na construção de um conhecimento com e a partir do outro?
- Quando eu quero saborear um momento, eu fecho os olhosPublication . Corso, Carina PierroCarina Pierro Corso é bacharel em Artes Visuais pelo IA-UNICAMP (Instituto de Artes - Universidade Estadual de Campinas) e mestre em Som e Imagem com especialização em Animação pela EA-UCP (Escola das Artes - Universidade Católica Portuguesa). A artista multimídia brasileira atualmente vive em Portugal. Os seus trabalhos são permeados pelo interesse em criar relações corpóreas, afetivas e íntimas com quem as vivencia, sempre tendo uma atenção especial às materialidades que utiliza como linha condutora da sua produção.O presente texto é um ensaio poético-teórico sobre a relação entre animação, materialidade e corpo. As conexões existentes entre estes temas é evidenciada por meio de um experimento animado realizado como resultado prático da minha dissertação de mestrado. Neste trabalho, a pele é o suporte e o sangue é a tinta que desenha as histórias contadas pelos corpos das pessoas que participaram neste exercício.
