Ferreira, AméliaEsteves, Alexandra2026-03-112026-03-112015-05-01Ferreira, A., & Esteves, A. (2015). Assistência em tempos difíceis: o terramoto de 1755. In M. M. Vieira, B. Araújo, & S. Deodato (Eds.), 9th International Seminar on Nursing Research proceedings (pp. 34-34). Universidade Católica Portuguesa.97898997041384ec85212-da9b-43cc-8342-5b57af33dcc7http://hdl.handle.net/10400.14/57324Introdução: Se o efeito mais visível do terramoto do primeiro de novembro de 1755 foi a quase destruição da capital portuguesa, incontestável foi a dramática existência de milhares de vítimas e a dor que ocasionou. O sismo que devastou a capital do reino não escolheu género, nacionalidade, idade ou posição social. Todos foram atingidos em maior ou menor proporção. Os que conseguiram sobreviver deixaram relatos que nos ajudam a perceber o que se passou. Ficaram conhecidas algumas das medidas tomadas pelas autoridades civis de Lisboa, sob a forma de Avisos, Portarias, Decretos e Ordens, contendo as principais providências para debelar e controlar os efeitos imediatos do cataclismo. O Rei convocou cirurgiões e enfermeiros para tratar os feridos que estivessem em casas de religiosos e noutros locais da cidade e determinou que para esse efeito usassem a botica do hospital. Solicitou ainda que aqueles profissionais, além do que era suposto levarem para tratar os ferimentos, também transportassem alimentos para distribuir pelas pessoas que deles necessitassem. Foram convocados todos os artífices para colaborarem na causa pública e urgente de dar sepultura aos mortos e preservar a saúde dos vivos, que se encontrava ameaçada pela corrupção dos corpos. Nos tempos que se seguiram ao terramoto do primeiro de novembro, Lisboa mobilizou-se para ajudar os sobreviventes e, mesmo sabendo que os riscos que corriam eram elevados, os que sobreviveram tentaram retirar os soterrados nos escombros. Objetivos: Perceber como agiu o povo de Lisboa perante a catástrofe, procurando evidenciar a componente solidária com as vítimas do terramoto. Métodos: Pesquisa documental em fontes manuscritas e impressas efetuada através de uma abordagem sistemática, por meio de recolha, organização e avaliação crítica de dados que têm relação com ocorrências do passado. Resultados: Foram encontrados inúmeros registos de atos de solidariedade, realizados não só por pessoas do povo, mas também por fidalgos e nobres. Os que tinham casas no campo que não foram afetadas pela calamidade ofereceram sustento e habitação. Muitos nobres com palácios fora de Lisboa disponibilizaram os seus terrenos para que os mais necessitados os ocupassem; mesmo os considerados mais avarentos tiveram gestos de grande generosidade para com os necessitados. Dentre os nobres portugueses que ajudaram, conta-se D. João de Bragança, primo de D. José e irmão do Duque de Lafões, que, percorrendo a cidade durante vários dias, por entre os edifícios arruinados, ajudou nas operações de resgate e salvamento. Monsenhor Sampayo, Prelado da Igreja Patriarcal, fez o mesmo, acompanhado de algumas pessoas, durante várias semanas, tendo sepultado 240 cadáveres. Os homens de negócios, desembargadores e as mais distintas pessoas apoiavam os médicos e cirurgiões e ajudavam com medicamentos e alimentação. Os religiosos, por incumbência do Cardeal Patriarca de Lisboa, prestaram apoio espiritual e ao terceiro dia após o terramoto, depois de retirarem os corpos das ruínas, começaram a dar-lhes sepultura. Todas as congregações de religiosas abriram as suas portas para acolherem centenas de famílias. Conclusão: A população respondeu positivamente aos apelos das autoridades para participar no socorro às vítimas. Estes atos consistiram, sobretudo, na assistência e no salvamento das vítimas, na prestação de serviços médicos e no transporte de vítimas, no apoio espiritual e na realização de serviços mortuários. A solidariedade nos tempos que se seguiram ao terramoto foi uma realidade. A rainha D. Mariana Vitória de Bourbon e as suas filhas, por exemplo, também colaboraram no auxílio aos doentes, cosendo roupa e desfiando panos, o que serviu de estímulo para muitas senhoras da corte, que viram nesta atitude da família real o mote para também se dedicarem a “tão piedoso exercício”.porLisboaSolidariedadeTerramotoAssistência em tempos difíceis: o terramoto de 1755conference proceedings