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Título: O Progresso de Édipo de Natália Correia: uma reescrita feminina do mito
Autor: Fialho, Maria do Céu
Data: 2006
Editora: Universidade Católica Portuguesa. Departamento de Letras
Citação: FIALHO, Maria do Céu - O Progresso de Édipo de Natália Correia: uma reescrita feminina do mito. Máthesis. Viseu. ISSN 0872-0215. Nº 15 (2006), p. 241-255.
Resumo: O mito de Antígona e o de Édipo tiveram uma presença muito diversificada nos palcos portugueses do séc. XX. Até ao fim dos anos 60, Antígona serviu para dar voz a múltiplas formas de resistência através do drama. Édipo, em contrapartida, esteve ausente, exceptuando a representação da peça de Sófocles, em 1954, por um grupo amador. Só a genial criação de B. Santareno, António Marinheiro, estreada em 1967, libertará o mito do peso restritivo da tradição, através de uma leitura freudiana. Entretanto, dois exemplos de reescrita dramática ficaram, não encenados, como testemunho de orientações estéticas e ideológicas absolutamente diversas. O primeiro é a Trilogia de Édipo de João de Castro Osório, de 1954. Trata-se de uma obra neoparnasiana, de forte influência nietzscheana, na sua concepção de um Édipo super-homem. O outro exemplo é O progresso de Édipo, de Natália Correia, de 1957. Assume-se como poema dramático e integra-se no Surrealismo português. Está marcado pela leitura de Freud e pela estética de La machine infernale, de Cocteau. O texto funde e inverte sequencialmente momentos do mito de Édipo e anuncia a abertura a uma nova visão constituída pela sabedoria poética. Esta sabedoria é intuitiva e emocional, fortalecida pela ligação renovada do homem às suas origens – poeticamente expressas como fonte. Este é um nexo proibido, que o mito configura como a ligação de Édipo à sua origem materna. Ela representa também a ligação proibida do poeta com o mistério da sua própria origem e identidade. The myths of Antigone and Oedipus had very different presences on the Portuguese stages of the 20th century. Until the end of 1960s Antigone was used to lend a voice to multiple forms of resistence through drama. Oedipus, on the other hand, was absent with one exception - the staging of the Sophoclean play, performed by an amateur theatre group. Only Santareno's masterpiece, António Marinheiro, first performed in 1967, will free the myth of the heavy burden of the past through a Freudian reading. In the meantime two examples of the rewritten play remained, not to be performed, as witnesses to the absolute diversity of aesthetical and ideological tendencies: the first is the Trilogia de Édipo, of João de Castro Osório, published in 1954. This is a Neoparnassian work with a strong influence of Nietzsche, regarding the concept of an Oedipus as a superman. The second example, O progresso de Édipo, of Natália Correia, published in 1957, has the character of a dramatic poem and belongs to the Portuguese Surrealism. It is heavily influenced by Freud's concepts as well as by Cocteau's La machine infernale. The text joins and subverts the sequence of Oedipus' myth. It heralds the opening up of a new form of seeing which may be understood as poetic wisdom. This wisdom is intuitive and emotional. It is strengthened by a renewed connection between man and his origins - poetically expressed as a spring. This is a forbidden connection, which appears in the myth as the connection between Oedipus and his maternal origin. This is also the forbidden connection between the poet and the mystery of his own origin and identity.
Peer review: yes
URI: http://hdl.handle.net/10400.14/9068
ISSN: 0872-0215
Aparece nas colecções:RMA - Nº 015 (2006)

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