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Título: As confissões de S. Agostinho : retóricas da fé
Autor: Rosa, José M. Silva
Data: 2007
Editora: Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa
Citação: ROSA, José M. Silva - As confissões de S. Agostinho : retóricas da fé. Didaskalia. Lisboa. ISSN 0253-1674. 37:2 (2007) 97-119
Resumo: Como é que a verdade da fé, sem se trair, pode ser formulada no espaço público de outras palavras concorrentes? Nesta condição agórica e agónica a convicção do fiel (fides qua) e a sua expressão comunicável (fides quae) têm de passar a mais dura das provas: inscrever-se no espaço não da verdade, mas da verosimilhança; não da realidade, mas da aparência; não do dogma, mas da dóxa. As Confissões de Agostinho de Hipona são uma das expressões mais bem conseguidas desta voluntária inscrição da fé no espaço plural da retórica. Consciente do carácter bífido da palavra, o próprio Agostinho confessa ter sido “um vendedor de palavras”; os oradores profissionais e seus aprendizes não passam de “vendedores e compradores de gramática”. Mas ao distinguir a “retórica ao serviço do erro e da mentira”, pura “feira de tagarelices”, da “retórica ao serviço da verdade”, Agostinho reconduz a retória ao lugar neutro de organon e aceita inscrever as razões da existência crente no espaço da persuasão e da verosimilhança, pois não basta à verdade ser verdadeira: importa que o pareça, que seja verosímil. Assim, a verdade íntima da palavra de fé pode e deve ser dita com eloquência e beleza, de tal modo “que ensine, que deleite, que comova”. E o resultado desta crítica retórica da retórica é a obra ímpar Confissões e suas inúmeras mises en scène adentro do ‘teatro do eu’, em busca de si e de Deus, pelos “vastos palácios da memória”. Mas é justamente aí que são denunciadas as pretensões idolátricas de anexar Deus às “experiências do eu”.
Without betraying itself, how can the truth of the faith be formulated in the public forum of other competing words? In this agoric and agonic condition the conviction of the faithfull individual (fides qua) and its communicable expression (fides quae) have to passe the hardest of tests: to become involved in the forum not of truth, but of verisimilitude, not of reality, but of appearance; not of dogma, but of doxa. The Confessions of Augustine of Hippo constitute one of the most successful expressions of this willing involvement of faith in the pluralistic forum of rhetoric. Conscious of the divides character of the word, Augustine himself confesses having been “a word salesman”; professional orators and their apprentices are no more than “sellers and buyers of grammar”. But in distinguishing «rhetoric at the service of error and lies”, pure “bartering of chatter”, from “rhetoric in the service of truth”, Augustine redirects rhetoric to the neutral place of organon and agrees to involve the reasons of christian existence in the forum of persuasion and verisimilitude, for it is not sufficient for truth to be true; it must also seem true, be verisimilar. Thus, the intimate truth of the word a faith can and shoud be expressed with eloquence and beauty, so “that it teaches, that it delights, that it moves”. And the result of this rhetorical criticism of rhetoric is the unparalleled work Confessions and its innumerable mises en scène within the ‘theatre of self’, in search of itself and of God, through the “vast palaces of memory”. But it is precisely there that the idolatrous pretensions of annexing God to the “experiences of self” are denounced.
Peer review: yes
URI: http://hdl.handle.net/10400.14/8761
ISSN: 0253-1674
Aparece nas colecções:RD - 2007 - Vol. 037 - Fasc. 2

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