Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.14/8591
Título: Mãos cuidadoras…Mãos sofredoras : vivências dos profissionais de enfermagem nas Unidades de Cuidados Intensivos Neonatais
Autor: Fernandes, Cláudia Sofia Freitas
Orientador: Almeida, Filipe
Data de Defesa: 2011
Resumo: Lidar diariamente com a dor, o sofrimento e a morte do neonato é extremamente penoso para os enfermeiros. A investigação em enfermagem tem incidido essencialmente no foco da nossa intervenção…o outro que se encontra vulnerável. Investiga-se todas as áreas da nossa prática, mas não se aprofunda o campo do cuidador. Foi reflectindo e sentindo esta problemática na prática diária, que realizei este estudo intitulado Mãos cuidadoras…Mãos sofredoras: Vivências dos profissionais de enfermagem nas Unidades de Cuidados Intensivos Neonatais. Trata-se de um estudo do tipo exploratório-descritivo de nível I, que teve como objectivos identificar a situação mais traumática vivenciada por estes profissionais; identificar os sentimentos e emoções vivenciados, conhecer os mecanismos de coping adoptados; identificar os factores que influenciam estas vicissitudes, compreender como estas vivências influenciam o bem-estar físico, psíquico, social e o desempenho profissional do enfermeiro e por fim conhecer a opinião dos profissionais relativamente à existência de reflexões grupais de forma a minimizar as vivências traumáticas. De forma a aprofundar o conhecimento e compreender esta problemática baseei-me em autores como Almeida, Bernardo, Biscaia, Collière, Damásio, Freitas, Goleman, Kain, Mercadier, Sagehome, Thelan, entre outros. Para fundamentar a metodologia científica recorri a autores como Burns & Grove, Fortin, Gil, Hungler & Polit e Vala. A população inquirida comportou trinta e um enfermeiros, da Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais e Pediátrico (UCINP), do Hospital Dr. Nélio Mendonça. O instrumento de produção de informação (IPI), utilizado foi o questionário, este foi composto por duas partes. A primeira parte destinou-se a obter dados a fim de caracterizar da população inquirida. A segunda parte teve como objectivo estudar a variável em estudo as vivências dos profissionais de enfermagem na UCIN. Esta foi operacionalizada em duas etapas, destacando-se na primeira etapa a situação traumática, sentimentos e emoções, mecanismos de coping e factores associados. A segunda etapa, teve como objectivo avaliar como as vivências influenciam o bem-estar físico, psíquico, social e desempenho profissional do enfermeiro. A minha curiosidade científica levou ainda a interrogá-los relativamente ao que consideravam ser mais difícil lidar com o neonato ou com a família e os motivos da escolha. E questionei se opinavam ser benéfico a existência de reflexões grupais a fim de minimizar estas experiências traumáticas. Para o tratamento e análise dos dados utilizei a estatística descritiva (programa SPSS) e a análise de conteúdo. Os profissionais de enfermagem da UCINP, são maioritariamente do género feminino (90,3%), sendo a média de idades de 33 anos, 61,3% estão casados ou encontram-se a viver em união de facto, 48,4% já têm filhos, 35,5% vivem com o cônjuge e filhos e 16,1% vivem com o cônjuge. Todos são Licenciados em Enfermagem (100,0%), e realizaram o curso na RAM (64,5%), 64,5% pertencem à categoria de Enfermeiro e 34,3% à de Enfermeiro Especialista, havendo apenas um Enfermeiro Chefe. O tempo médio de serviço é de 10 anos, e o tempo médio a exercer funções na UCINP é de 7 anos, 61,3% estão neste serviço por opção (61,3%), por gostarem de crianças e cuidar delas e sentem-se realizados profissionalmente (93,5%). Porém, a maioria refere que não recebeu formação suficiente no decorrer da sua formação académica (90,3%), e sente necessidade em realizar formações específicas (87,1%), especialmente na área de intensivismo neonatal, como a reanimação e cuidados centrados no desenvolvimento e apoio à família. Em relação à variável em estudo, concluo que as situações mais traumáticas que vivenciam são a morte (43,9%) e o lidar com a família perante a morte do filho (17,5%), perante estas vivências destacam-se sentimentos de impotência (27,3%) e de tristeza (25,3%). O comunicar (22,8%) e a atitude profissional (20,0%), são os mecanismos de coping mais utilizados. A experiência profissional e a dificuldade em lidar com o sofrimento, dor e morte são os factores associados mais citados (14,3%). Relativamente à influência das vivências no bem-estar físico, psíquico, social e desempenho profissional, verifico que o desempenho profissional, é o mais influenciado pelas vivências (52,0%). Para estes enfermeiros trabalhar nesta unidade comporta uma exigência de competência cognitiva, técnica e relacional (23,8%), porém não se sentem capacitados para lidar com as situações (16,7%). O bem-estar psíquico é prejudicado (20,7%), sendo o stress o principal causador (54,0%). Porém, apesar da carga psíquica, 46,0% dos inquiridos sentem-se satisfeitos, realizados e reconhecidos (46,0%), consideram que estas experiências lhes ajudam a se tornar pessoas, mais humanas, e mais competentes para cuidar destas crianças e suas famílias. O bem-estar físico o é o menos prejudicado, contudo, salientam que o que lhes incomoda mais são as alterações do ciclo circadiano (52,4%), mas estas não se devem apenas às situações trágicas, mas à carga horária, ao regime de rotatividade e ao ambiente físico ser muito peculiar. O bem-estar social também é afectado, possuem pouco tempo disponível para estar com os amigos e conviverem com outras pessoas prejudicando a interacção social (22,2%). Também influencia o meio familiar, apesar de não influenciar o seu planeamento familiar ou o desejo de ter filhos (55,6%), porém, o curto espaço de tempo que ficam com a família e o facto de terem filhos pequenos, faz com que influencie o bem-estar da relação familiar (6,7%). Para estes profissionais, é mais difícil lidar com a família (54,8%) devido à dificuldade que sentem em apoiar/comunicar com a mesma perante as situações traumáticas (67,6%). Todavia, referem que o que lhes incomoda mais ao prestar cuidados ao neonato em sofrimento é a expressão facial (38,9%), os dilemas éticos (22,2%), e o corpo (16,7%). Já em relação à opinião dos profissionais relativamente à existência de reflexões grupais, 87,1% consideraram serem benéficas, pois servirão para expressar os sentimentos vivenciados e ajudar a efectivar o seu processo de luto. Ao analisar os resultados, concluo que estes enfermeiros sofrem silenciosamente e têm consciência desse sofrimento, pelo que anseiam pela realização das reflexões grupais, de forma a ajudá-los a lidar com os seus medos e anseios e a efectivar o seu processo de luto. É basilar a realização de novas investigações nesta área, com o intuito de despertar as administrações das instituições de saúde para esta problemática, de forma a adoptarem estratégias que satisfaçam as necessidades destes profissionais. Seja através da criação de espaços de reflexão grupal ou individual, apoiadas ou não por especialistas na área da psicoterapia, seja simplesmente proporcionar espaços de reflexão, partilha de experiências, de diálogo, dentro da própria equipa, para que desenvolvam mecanismos de coping grupal, originando um equilíbrio individual, estes factores ajudarão toda a equipa a adquirir competências para a ultrapassar estas vivências traumáticas. Assim, melhorar-se-á a saúde mental dos profissionais tornando a prestação de cuidados ao neonato/família menos aterradora e mais humana, sem medo de expressar os seus sentimentos, suas emoções, sem medo de mostrar ao outro que nós, enfermeiros, somos pessoas, temos uma alma, … um corpo, … um espírito.
Dealing with daily pain, suffering and death of the newborn is extremely difficult for nurses. Research in nursing has focused primarily on the focus of our intervention ... the others who are vulnerable. Investigation is made in all areas of our practice, but we do not look into the scope of the caregiver. I conducted this study on Mãos cuidadoras…Mãos sofredoras: Vivências dos profissionais de enfermagem nas Unidades de Cuidados Intensivos Neonatais by feeling and reflecting on this daily problem. This is an explorative descriptive study level I which aims to identify the most traumatic situations experienced by these professionals, identify the feelings and emotions experienced, know the coping mechanisms adopted, identify the factors that influence these events, understand how these experiences influence the physical, mental and social well-being and professional performance of nurses and finally learn the opinions of professionals regarding the existence of group discussions in order to minimize the traumatic experience. In order to deepen knowledge and understand this issue I have relied on authors such as Almeida, Bernardo, Vizcaya, Collière, Damasio, Freitas, Goleman, Kain, Mercadier, Sagehome, Thelan, among others. To support scientific methodology, I based myself on authors such as Burns & Grove, Fortin, Gil, Polit & Hungler and Vala. The survey population was of thirty-one nurses from the Neonatal Intensive Care and and Paediatric Units (UCINP) at Hospital Dr. Nelio Mendonça. The questionnaire, used as the instrument of information production (IPI), was composed of two parts. The first part was designed to obtain data in order to characterize the population surveyed. The second part was to investigate the variable under study of the nurses‟ experiences in the NICU. This was implemented in two stages, especially in the first stage the traumatic situation, feelings and emotions, coping mechanisms and factors involved. The second stage was to assess how experiences influence the physical well-being, mental, social and professional performance of nurses. My scientific curiosity has also led to interrogate them on what they considered to be more difficult to deal with the newborn or family and the reasons for their choice and wondered if they felt to be beneficial to the existence of group discussions in order to minimize these traumatic experiences. For treatment and data analysis I used descriptive statistics (SPSS) and content analysis. Nurses of UCINP are mostly women (90.3%) and the average age of 33; 61.3% are married or are living with a partner; 48.4% have children; 35.5% live with their spouse and children and 16.1% only live with their spouse. All are nursing graduates (100.0%), and have taken the course in RAM (64.5%), 64.5% belonging to the category of nurse and 34.3% to the category of Specializing Nurse, and only 1 (one) as Head Nurse. The average length of service is 10 years while working in the UCINP is 7 years. 61.3% are employed by option (61.3%) and 93.5% like children and care for them and feel performed professionally. However, most stated that they did not receive enough training during their academic training (90.3%) and feel the need to undertake specific training (87.1%), especially in the neonatal intensive care such as resuscitation and care focused on development and family support. Regarding the variable under study, I conclude that the most traumatic situations experienced are death (43.9%) and dealing with family before his child‟s death (17.5%). With these experiences feelings of helplessness (27.3%) and sadness (25.3%) stand out. The report (22.8%) and professional attitude (20.0%) are the main coping mechanisms used. Professional experience and difficulty in coping with stress, pain and death are the most frequently cited associated factors (14.3%). Regarding the influence of experiences in the physical well-being, mental, social and professional performance, I note that the professional performance is the most influenced by the experiences (52.0%). For these nurses, working in this Unit has a requirement for cognitive ability, technical and relational (23.8%) but do not feel qualified to deal with certain situations (16.7%). The psychological well-being is harmed (20.7%) while stress is considered the main cause (54.0%). However, despite the psychic load, 46.0% of respondents feel satisfied, fulfilled and recognized (46.0%); they even consider that these experiences help them to become people, more human and more competent to handle these children and their families. The physical well-being is the least affected, however, what bothers them most is the changes of the circadian cycle (52.4%), but these are not just due to tragic situations, but the workload, the system turnover and the physical environment is very peculiar. The social welfare is also affected. They have little time left to be with friends, to socialize with other people interfering with social interaction (22.2%). This also influences the family, despite not influencing their family planning or their desire to have children (55.6%). Nevertheless, the short time they will be spend with their family and the fact that they have small children, influences the welfare of their family relationships (6.7%). For these professionals, it is more difficult to deal with family (54.8%) because of the difficulty in supporting / communicating with the latter before the trauma (67.6%). However, what bothers them most when providing care for the newborn is suffering facial expression (38.9%), ethical dilemmas (22.2%) and body (16.7%). As for the professionals' opinion regarding the existence of group reflections, 87.1% considered to be beneficial because it will serve to express feelings experienced and help to effect their grieving process. When analyzing the results, I conclude that these nurses suffer silently and are aware of this suffering, so they long for the realization of the reflection group in order to help them deal with their fears and anxieties and put into effect their grieving process. It is fundamental to carry out further investigations in this area in order to awaken the governmental health institutions to this problem and adopt strategies that meet the needs of these professionals. Whether if it is through the creation of places for group or individual reflection (supported or not by experts in the field of psychotherapy) or simply providing opportunities for reflection by sharing experiences and dialogue within the team to develop coping mechanisms group, resulting an individual balance, these factors will help the entire team to learn skills to overcome these traumatic experiences. This will improve the professionals‟ mental health and make the care of the newborn and family less terrifying and more human, not being afraid to express their feelings and their emotions without fear of showing to others that we, nurses, are people who have a soul, a body ... ... a spirit.
URI: http://hdl.handle.net/10400.14/8591
Aparece nas colecções:R - Dissertações de Mestrado / Master Dissertations
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