Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.14/3619
Título: A conspiração do silêncio em cuidados paliativos : os actores, contextos e práticas na perspectiva da equipa multidisciplinar
Autor: Mendes, Tânia Sofia Reis
Orientador: Martins, José Carlos Amado
Palavras-chave: Cuidados Paliativos
Doente
Família
Equipa Multidisciplinar
Grounded Theory
Contextos
Causas
Estratégias e Consequências
Comunicação
Informação
Conspiração do Silêncio
Palliative Care
Communication
Information
Conspiracy of Silence
Patient
Multidisciplinary Team
Family
Contexts
Causes
Strategies and Consequences
Data de Defesa: 2009
Resumo: A conspiração do silêncio é um processo de ocultação de informação ao doente. Acontece com frequência em cuidados paliativos, contexto sensível às questões da dor, do sofrimento e da morte. O presente estudo surgiu da necessidade de conhecer a vivência da conspiração do silêncio na perspectiva da equipa multidisciplinar em cuidados paliativos. Consideramos que esta investigação terá relevância para a melhoria da prestação de cuidados paliativos ao pretender conhecer um fenómeno que parece constituir um entrave à criação de condições de humanização, de tranquilidade e de comunicação aberta, características deste tipo de cuidados. Neste sentido, elegeu-se a Grounded Theory como referencial metodológico capaz de nos ajudar na concretização deste objectivo. Através da observação participante, da realização de entrevistas e Focus Group aos elementos da equipa multidisciplinar do Serviço de Cuidados Paliativos do Instituto Português de Oncologia do Porto, conseguimos compreender como é vivenciada a conspiração do silêncio neste contexto de cuidados, na perspectiva da equipa, quer para o doente, quer para a família, quer para si própria. Através da análise dos dados percebemos que o doente, a família e a equipa são os três actores intervenientes na conspiração do silêncio em cuidados paliativos. Compreendemos que esta, ao ocorrer, pode consequentemente ser mantida ou ser destruída. A conspiração do silêncio pode ser mantida e ser considerada adaptativa e, nesse sentido, não tem consequências negativas, podendo o doente viver tranquilamente, visto essa situação não lhe causar preocupação. No entanto, pode também ser não adaptativa e, nesse sentido, cria desconforto, angústia e isolamento, dificulta a abordagem da própria equipa, impede despedidas, prolonga os processos de agonia e desfavorece a comunicação. Posto isto, há necessidade que seja destruída, sendo que qualquer um dos elementos intervenientes pode propiciar que isso aconteça através de diferentes estratégias. Quando a conspiração do silêncio é destruída, considera-se que isso traz consequências quer positivas, quer negativas, para os três actores, concluindo-se, no entanto, que as positivas superam as negativas. A equipa sofre represálias e lida com a revolta quando destrói a conspiração, no doente verifica-se sempre um sofrimento inicial, enquanto na família se constata uma dificuldade acrescida na vivência do luto. Quando se consegue avançar com este processo o cuidar fica facilitado, consegue-se cuidar num todo, a equipa acaba por lidar com a gratidão, todos ficam em sintonia com a equipa, o doente pode ter uma morte tranquila e percebe-se melhor os relacionamentos no seio da família. Assim, concluímos que uma relação de verdade, com a destruição dos silêncios gera, certamente, uma angústia e um sofrimento iniciais, mas evita os efeitos negativos de não adaptação às situações vividas no contexto dos cuidados paliativos.
The conspiracy of silence is a process of concealment of information from the patient. It happens frequently in palliative care, a sensitive field dealing with issues of pain, suffering and death. This study arose from the desire to know the experience of the conspiracy of silence in the multidisciplinary team’s point of view in what palliative care is concerned. We believe that this research will be relevant to the improvement of the delivery of palliative care by intending to know a phenomenon that seems to be an obstacle to the creation of conditions of humanization, peacefulness and open communication, all characteristics of this type of care. In this sense, the Grounded Theory was selected as the methodological reference able to help achieve this goal. By performing participant observation, conducting interviews and focus group towards elements of the multidisciplinary team of palliative care service of the Portuguese Institute of Oncology in Oporto, we were able to describe how experienced the conspiracy of silence is in this context of care, according to the team, either for the patient, the family, or the team itself. The analysis of data led us to understand that the patient, the family and the team are the three players involved in the conspiracy of silence in palliative care. We have noticed that the conspiracy of silence exists, that it is taking place among these groups of people and that it can be maintained or destroyed. The conspiracy of silence can be maintained and be considered adaptive in the sense that it carries no negative consequences and the patient can live peacefully, since it does not cause any concern. However, it may not be adaptive and, accordingly, it may create discomfort, anxiety and isolation, harden the approach of the team itself, avoid goodbyes, endure the agony of processes and cause step backs in communication. In this sense, it needs to be destroyed, and that each one of the players can provide for that to happen by using several strategies. When the conspiracy of silence is destroyed, it is expected to bring both positive and negative consequences for the three players, considering, however, that the positive outweigh the negative. The team suffers retaliation and anger when dealing with the destruction of conspiracy, in the patient there is always an initial feeling, as for the family there is an added difficulty in the experience of mourning. When one is able to deal with this process, care is easier, and one can handle it as a whole, the team ends up dealing with gratitude, all are in line with the team, the patient can have a peaceful death and one can have a better understanding of the relationships within the family. Thus, we conclude that a relationship of truth with the destruction of silence is certain to create an initial anguish and suffering, but avoids negative effects of incapability to adapt to situations in the context of palliative care.
URI: http://hdl.handle.net/10400.14/3619
Aparece nas colecções:ICS(L) - Dissertações de Mestrado / Master Dissertations
R - Dissertações de Mestrado / Master Dissertations

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