Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.14/16526
Título: Instrumentos de música digitais : sound pursuit
Autor: Cardoso, Diana da Silva Graça
Orientador: Lopes, Paulo Ferreira
Data de Defesa: 2010
Resumo: Este documento pretende ser uma apresentação e registo da investigação e realização do projecto final do mestrado em Design de Som, da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa. Ao longo do documento, será fácil compreender todos os pormenores do projecto, bem como as fases por que passou, desde a pré - produção, produção e até à pósprodução da obra final. Os instrumentos de Música Digitais, são o enfoque deste trabalho. Um modo de considerar ou entender o assunto principal que se debate nele, é, analisando e contrapondo, pontos de vista e perspectivas de diferentes autores. O tema Construção de Instrumentos de Música, não implicou só uma breve definição histórica e da envolvente, mas também alguns aspectos relacionados com a definição de música sob diversos ângulos, como, conceitos da harmonia ou ideias culturais, tendo sempre em vista, a criação de instrumentos de música digitais. Interessam-me os instrumentos tradicionais e acústicos como parte da história musical, mas é acima de tudo, o paradigma entre os sons gerados de forma acústica e eléctrica pelos novos instrumentos da música digitais, que aqui se tenciona estudar. É crucial, tratar a história da música electrónica e dos instrumentos que nela foram surgindo, sempre com a ânsia da procura de novas sonoridades. Vivemos num tempo de permanentes novidades tecnológicas. São constantes revelações ligadas à reprodução de circuitos de informação, ou seja, à globalização. E é neste encadeamento que emerge, tão facilmente a ideia de instantaneidade (Carmelo, 1999). A qualidade do instantâneo e o conceito de indeterminação na música serão aqui abordados, com a análise dos processos composicionais de autores como Boulez, Cage ou Stockhausen. Pierre Boulez, por ser um compositor da sabedoria e serenidade, desenvolveu aptidões do pensamento musical, não só devido à sua intelectualidade musical, mas também às suas relações com a filosofia e a poesia. Boulez, é descrito como um compositor pensivo, (compositeur pensiv) - conceito inventado por François Nicolas para descrever uma forte actividade intelectual e artística presente na vida de um compositor. Um compositor pensivo, preocupa-se em assumir uma posição estética dentro da música e nas artes em geral; incrementa teorias, ideias próprias; contribui para a comunidade científica investigando e escrevendo artigos científicos; dá conferências onde apresenta tanto as suas técnicas composicionais, como se exprime de forma crítica sobre assuntos variados do meio artístico e da sua profissão. Pierre Boulez, muito ligado ao intelecto, distingue-se claramente pelo número de textos que escreveu ou anunciou sempre com uma intenção educativa. Casos de compositores com estas acções intelectuais activistas, começam a ocorrer numa altura da história da música, onde a música deixa de ser um mero jogo de sensações como disse Kant, ou uma actividade dependente e disciplinada demasiado agarrada a um passado às vezes demasiado conservador. É no século 19, que surge o estatuto social da música. Beethoven, filósofo da música, é uma das figuras responsáveis por este acontecimento. Não propriamente devido a textos que tenha escrito a descrever os seus processos de composição, mas pela capacidade que teve em gerar músicos contemporâneos que eram seus seguidores e que deram à música novos conceitos, como é o caso da sonata. Um caso modelo, é o de Richard Wagner que gerou um novo género - Drama Musical, ou Obra de Arte total, como também lhe chamara, e pela sua teoria da Obra de Arte do Futuro. Assim como, Robert Schumann, que passou parte da sua carreira a reificar reflexões críticas sobre as obras dos seus contemporâneos. A indispensabilidade de declarar um pensamento musical foi nos anos 50, uma urgência não só para Boulez, mas também para compositores como Pierre Schaeffer, Cage, Stockhausen, ou Barraqué. Todavia, é baseado nos pensamentos destes compositores que nomeei, que surge o conceito do indeterminado na música. Sempre presente, umas vezes mais visível do que outras, na história da música ocidental. Exemplo, são os episódio de improvisação, constantemente associados à música, quer seja em situações de composição, concerto, ensaios ou performances. Muitos músicos influentes da música popular como Freddie Mercury ou Roger Waters, recorreram, consciente ou inconscientemente à improvisação como um processo de composição. O acaso e o aleatório são degraus de perplexidade que constituem fracções complementares da questão do indeterminado na música e que têm uma representação na própria música. Esta ideia da questão do indeterminado, surge num processo complementar da percepção e da composição, num sistema de redacção musical que passa por tomar decisões baseadas em casos de determinar e indeterminar (Rodrigues , 2007). Este ataque deu à música a possibilidade de se associar a outras formas de expressão, como a filosofia, artes visuais ou matemática, entre outras. Estas actividades do passado, trouxeram ilações ao presente. No século XX, não foi possível chegar a alterações ou hipóteses da estética musical, que reformassem o sistema tonal que ainda insiste em permanecer como conjectura harmónica aceitável (Gubernikoff, 2007). Todas as áreas de trabalho, e de expressão artística foram construídas com base em procuras interiores de seres individuais que ansiavam por dar identidade e novidade aos processos até ai, aceites pela sociedade. Sempre existiram pensamentos alternativos e espíritos conservadores, ambos necessários para a génese de discussão e inovação. Na área de investigação desta prelecção, continuam a haver espíritos ansiosos por construir um lugar para a suas teorias e saberes. Os novos instrumentos digitais e o computador, são para os músicos contemporâneos, uma possibilidade de transformar os sons de uma forma menos limitadora. Ficamos perante a oportunidade de ao conceber novos conceitos de instrumentos, desenvolvermos com eles um timbre inovador. Nos últimos 10 anos, devido ao crescimento dos utilizadores de tecnologias digitais, têm surgido novos conceitos como: música interactiva, sistemas musicais interactivos, improvisação musical por computador, ou música por computador. Ao pronunciar estes termos, será imprescindível fazer uma breve reflexão histórica sobre como, onde e quando se começaram a utilizar estas determinações. Os sistemas de música interactiva baseados em computador, tiveram origem nos finais dos anos 60, primeiramente envolvendo sintetizadores analógicos controlados por computador em situações de concertos ou instalações artísticas. A composição algorítmica em tempo real, só se divulgou 10 anos depois, na década de 70 com o trabalho de compositores e intérpretes David Behrman, Joel Chadabe, Martirano Salvatore, Gordon Mumma ou Laurie Spiegel. Mumma, (1975); Bernardini, (1986) citado por JORDÀ (2002). Todavia, a sua expansão só aconteceu realmente em meados dos anos 80 com o aparecimento do protocolo MIDI, e pouco depois, com a chegada de linguagens de programação gráfica, como é exemplo o Max/Msp. Puckette, (1988); Puckette e Zicarelli, (1990) citado por Jordà (2002). Foi nesta década, em 1980, que preparou terreno para o avanço da concepção e implementação de sistemas interactivos personalizados mais simples do que nunca. Winkler, (1998) citado por Jordà, (2002). Porém, uma década e meia depois, a música por computador e de improvisação, com o uso destas máquinas, ainda parece ser uma área multidisciplinar em crescimento e com necessidade de exploração. A construção dos novos instrumentos de música digitais, o design de novos interfaces, a síntese de som em tempo real bem como de técnicas de processamento, a teoria da música, a ciência cognitiva, as práticas de composição, e os modelos existentes de improvisação (baseados e não baseados em computador) podem conduzir a novos modelos de interfaces musicais (Jordà, 2002). Todos estes conceitos continuam a ser motivos de estudos actuais, e fortes pilares para definir novos modelos de instrumentos de música digitais. Quer sejam feitos para público especializado como artistas/músicos, ou para o público comum, que não tem propriamente formação musical. Por outro lado, a quantidade de trabalhos de investigação na área que cada vez mais ocorrem, vêm comprovar que estamos perante uma matéria que se encontra em perfeita imergência e que precisa de tentar definir todas as expressões mencionadas. Battier (2000) e Rowe (1993), Citado por Ferreira-Lopes (2009).
This document intends to be a presentation and study registry, investigation and conclusion of the final project of the master’s degree in Sound Design, of the school of arts of the Portuguese catholic university. Throughout the document, it will be easy to understand all the details of the project as well as all the stages that it went through, from the pre-production, production to the post –production of the final work. Instruments of digital music are the spotlight of this project. One way to consider or understand the issue at hand is by analysing and comparing various views and perspectives of different authors. The theme of Construction of Musical Instruments, did not only implicate a brief definition of the involving history, but also some aspects related to the definition of music itself under various angles like for example, harmony aspects or cultural ideas, always bearing in mind the creation of instruments of digital music. As part of the musical history, traditional and acoustic instruments are the ones that interest me the most, but, above all, it is the paradigm between the sounds generated in an acoustic and electric form by the new instruments of contemporary music that is intended to be studied. It is crucial to treat the history of electronic music and the instruments that in it have aroused always with eagerness of searching for new sounds. Nowadays, we assist a time of permanent technological advances. These are ongoing revelations linked to the reproduction of information flow, or more simply, globalization. It is trough this that emerges the idea of instantaneousness (Carmelo, 1999). The quality of the instantaneous and the concept of indeterminacy in music will be here approached with the analysis of compositional processes of authors such as Boulez, Cage or Stockhausen. The new digital instruments, and especially the computer, are for contemporary musicians, a chance to transform sounds in a less limiting way. We are, therefore, no longer restricted to a traditional instrument and are confronted with the opportunity to create new concepts of instruments and create with them a characteristic and innovative timbre. Over the past ten years, due to the growth of users of digital technologies, new concepts have emerged such as: interactive music, interactive music systems, or music by computer. On the other hand, the amount of research in the area that increasingly occurs is evidence that this is a subject that is in perfect arising and that needs a definition for all expressions mentioned. Battier (2000) and Rowe (1993), quoted by Ferreira-Lopes (2009).
URI: http://hdl.handle.net/10400.14/16526
Aparece nas colecções:EA - Dissertações de Mestrado / Master Dissertations
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