Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.14/16478
Título: Conservação e restauro da escultura sobre madeira policromada de S. Francisco de Assis de Machado de Castro
Autor: Peixoto, Rita Medina de Faria Taveira
Orientador: Calvo, Ana
Barata, Carolina
Data de Defesa: 2012
Resumo: A informação existente sobre os materiais e técnicas utilizados na produção de escultura sobre madeira policromada da Oficina de Joaquim Machado de Castro é muito reduzida, sendo que a atenção dos investigadores se tem centrado mais na sua produção artística de escultura em pedra ou em barro. Assim sendo, este trabalho teve como objectivo principal, não só o tratamento de conservação e restauro da escultura sobre madeira policromada de S. Francisco de Assis de Joaquim Machado de Castro, de modo a conferir a estabilização química e física da obra em questão, mas também, o estudo e análise das técnicas e materiais utilizados na a sua construção. Tal estudo pretende, de uma forma geral, contribuir para o conhecimento das técnicas de Machado de Castro e da sua influência na Arte Portuguesa na transição do século XVIII para o século XIX. Uma grande parte do trabalho desenvolvido consistiu na pesquisa de fontes documentais sobre o local de proveniência, o período de produção da obra e o seu enquadramento na actividade do próprio artista. A obra foi submetida a vários exames e técnicas de análise laboratorial. Os métodos utilizados foram o registo fotográfico sob luz visível de modo a se registar o estado de conservação inicial e um registo documental de todas as fases de intervenção. Foram feitas duas radiografias cujo objectivo foi o estudo do método de construção do suporte. A obra também foi sujeita a fluorescência induzida por radiação Ultra-Violeta para se conseguir identificar certos materiais presentes na sua superfície e avaliar o seu estado de conservação. Com o objectivo de identificar as cargas e pigmentos utilizados, mais especificamente nas zonas do cabelo, carnações, vestes, peanha e estigmas de S. Francisco, assim como as carnações da imagem de Cristo crucificado, recorreu-se à espectrometria de fluorescência de raios-X dispersiva de energias (EDXRF), à microscopia óptica de reflexão (OM), para a caracterização das amostras de policromia recolhidas de cada uma dessas áreas. A microscopia electrónica de varrimento com espectrometria de raios – X dispersivo de energias (SEM-EDS) foi usada na identificação da preparação e policromia de uma amostra recolhida da zona das vestes, uma vez que esta levantava questões que não foram possíveis de esclarecer com os métodos utilizados anteriormente. Para a identificação do tipo de carga utilizada na preparação procedeu-se à elaboração de testes microquímicos. O objectivo deste exame foi verificar se a preparação era constituída por cré (carbonato de cálcio) ou gesso (sulfato de cálcio). Foram efectuadas tinções nas amostras das carnações, assim como das vestes e da peanha. Este exame tem por objectivo a identificação do aglutinante usado na aplicação da camada de preparação, assim como da técnica utilizada na execução da policromia. Os métodos de exame e análise permitiram chegar-se a várias conclusões. A obra foi esculpida a partir de madeira de cedro e possui um sistema de construção que consiste na agregação com grude de quarenta e oito módulos. Possui dois olhos de vidro e a existência de elementos metálicos na sua constituição é reduzida. Recebeu uma camada de preparação por toda a superfície composta por gesso, sendo que o aglutinante utilizado foi cola animal. Originalmente, a policromia foi elaborada a partir da técnica a têmpera, sendo que o aglutinante utilizado foi, possivelmente, a gema de ovo. Foi sujeita a várias repolicromias ao longo do tempo, tendo sido estas efectuadas a partir da técnica a óleo, onde o aglutinante utilizado foi, provavelmente, o óleo de linhaça. Os pigmentos utilizados foram, na carnação original, o mínio, o branco de chumbo e ocre vermelho, enquanto na repolicromia se encontram o branco de chumbo e o ocre vermelho. Na barba e nos cabelos foi utilizada a umbra queimada, enquanto nas vestes utilizou-se o negro de ossos, a umbra queimada e o ocre vermelho. Nos estigmas, a policromia original foi feita, provavelmente, com siena natural, enquanto a repolicromia foi feita com branco de chumbo e mínio. Quanto à existência de uma camada de protecção, é composta por um verniz à base de uma resina natural, mas não foi possível a identificação da sua tipologia. Este trabalho inclui ainda um estudo de caso focado no modo de construção do suporte. Este estudo em específico requereu o levantamento de várias fontes documentais, de referências bibliográficas e de processos de conservação e restauro no Centro de Conservação e Restauro (CCR) da Universidade Católica Portuguesa e no Instituto de Museus e Conservação (IMC), sobre o uso de cedro como matéria-prima utilizada em escultura e as diferentes técnicas de produção de esculturas sobre madeira. Concluiu-se que o cedro é uma matéria-prima adequada para a produção de escultura devido à sua resistência aos factores de degradação e que, no estado actual dos conhecimentos, a construção utilizada na obra de S. Francisco de Assis de Joaquim Machado de Castro não é muito comum em Portugal, mas não se trata de um caso isolado. As obras portuguesas semelhantes averiguadas datam da segunda metade do século XVIII (contemporâneas da obra em estudo), sendo este tipo de construção mais comum em Espanha e em Itália, centros que influenciaram o artista.
URI: http://hdl.handle.net/10400.14/16478
Aparece nas colecções:EA - Dissertações de Mestrado / Master Dissertations
R - Dissertações de Mestrado / Master Dissertations



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