Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.14/16384
Título: Diferenciação curricular e educação multicultural : conceções e práticas em contexto de diversidade cultural
Autor: Portugal, António Miguel Ralha
Orientador: Roldão, Maria do Céu
Palavras-chave: Diferenciação curricular
Educação multicultural
Culturas profissionais
Organização do ensino
Curriculum differentiation
Multicultural education
Professional culture
Organization of teaching
Data de Defesa: 4-Set-2014
Resumo: O currículo é um artefacto social e cultural, que envolve uma fase de conceção e outra de reconstrução, esta a cargo dos professores, que em contexto, o desenvolvem de modo que os alunos, na sua diversidade de necessidades, características e interesses possam aceder a um conjunto de conhecimentos sistemáticos e desejavelmente comuns a todos. Uma teorização do currículo, atento a todos os fatores, sociais, culturais, de hegemonização de poder e de desigualdades de acesso, deve estar atenta à identidade e à diferença, que se joga nesse percurso, nesse currículo entendido como currere, que molda a pessoa do aluno ao longo do caminho. A massificação do ensino trouxe para a escola uma ampla diversidade de alunos, o que contras-tou com uma organização – que sobrevive desde a constituição da escola moderna no séc. XVIII e XIX – centralizada em torno do padrão da classe e de uma pedagogia da transmissão, que tende a tratar a todos como se fossem um e que necessariamente deu origem a uma diferenciação curricular, porém estratificadora, que é necessário substituir por uma forma diferenciada, mas inclusiva, de fazer ascender ao currículo comum uma grande diversidade de alunos. Essa diversidade cresce hoje nas nossas escolas, com a multiplicidade de grupos culturais, sociais, étnicos, raciais, religiosos e outros grupos minoritários, que merecem a atenção de uma escola que seja para todos, atenta às necessidades, características, designadamente culturais, e interesses dos alunos. A educação multicultural surge como resposta a esta diversidade. Sob este pano de fundo, o presente estudo procura saber em que medida a gestão e desenvolvimento curricular efetuada por três professores de uma escola caracterizada por uma ampla diversidade têm em conta, tanto ao nível das conceções como das práticas, as diversas necessidades e características dos alunos, e de que modo as culturas profissionais e organizacionais, bem como as suas conceções face à diferenciação e à educação multicultural influenciam tal gestão e desenvolvimento. Em suma, diante de um contexto de diversidade, a finalidade consistiu em compreender até que ponto os professores articulam ou não, ao nível micro, e que razões apresentam para tal, uma diferenciação curricular com uma educação multicultural, no intuito de tornar a aprendizagem mais eficaz para todos. Nesse sentido, desenvolvemos um estudo de tipo etnográfico, com recurso à observação de aulas de três participantes e a entrevistas semidiretivas para aprofundar conceções, para além de termos recorrido a um diário de campo e à análise documental, dados que submetemos a análise de conteúdo, com construção de categorias de análise auxiliada por software especializado. A análise e discussão dos dados permitiu-nos compreender que os participantes, apesar de conceberem o ensino e ensinarem numa lógica homogeneizadora, exibiram potencialidades, quer ao nível de um ensino mais diferenciado, quer ao nível de uma educação multicultural, ainda que mínima, mas que, como em outras escolas, se encontra numa fase propícia a mudanças qualitativas. Verificámos, com a ajuda dos participantes, uma forte influência de uma organização do ensino estruturado sob os pressupostos de um paradigma da homogeneidade e uma cultura profissional ainda presa de uma pedagogia da transmissividade, com pouco trabalho colaborativo e pouco desenvolvimento profissional, que, no entanto, é requerido por um contexto pedagógico que exige diferenciação e educação multicultural. Constatámos que o contexto atual pode ser aproveitado como oportunidade para evoluir através de um reforço do conhecimento profissional.
The curriculum is a social and cultural artefact that involves a stage of conception and a stage of reconstruction, this last done by teachers, developed in context in such a way that students, in their different needs, characteristics and interests, might reach an ensemble of systematic knowledge common to all. A theorization of the curriculum, concerning all social, cultural, power hegemonic factors and inequalities of access, should be attentive to the identity and difference played in that path, in that curriculum understood as currere, which shapes the student person along the way. The massification of education brought to school a wide diversity of students, that contrasted with an organization – that has survived since the constitution of modern school in the XVIII e XIX centuries – centralized around the pattern of class and of a pedagogy of transmission that tends to treat all as if they were only one, generating a curriculum differentiation, yet stratifying, which is necessary to replace by a differentiated form, but also inclusive, of ascending to common curriculum a wide diversity of students. Today, this diversity grows in our schools with a wide range of cultural, social, ethnic, racial, and religious groups and other minorities, which deserve the attention of a school for all, attentive to the student’s needs, characteristics (mainly cultural) and interests. The multicultural education arises as a response to this diversity. Under this scenario, this study wants to know in which measure the management and the curricular development made by three teachers of a school characterized by a wide diversity of students take into account, at the level of conception as well as at the level of practice, the student’s various needs and characteristics and how the professional and organizational cultures as well as its conception facing differentiation and multicultural education influence that management and development. In short, before a diversity context, the goal consisted in understanding to which extend teachers articulate or not, at the micro level, and which reasons they present to that, a curriculum differentiation with a multicultural education, in order to make learning more effective to everyone. In that sense, we developed a study of ethnographic type, recurring to class observation of three participants and to semi directive interviews to deepen conceptions, besides the resorting to a field journal and to documental analysis, to data that we submitted to content analysis, with the construction of analysis categories assisted by specialized software. The discussion and analysis of the data allowed us to understand that although the participants conceive instruction and teach in a homogeneous logic, they showed potential to the level of a more differentiated instruction as well as to the level of a multicultural education, even if is minimum, but as happens in other schools it is in a prone phase to qualitative changes. With the participants help, we noticed a strong influence of an organization of structured instruction under the assumptions of a paradigm of homogeneity and a professional culture that is still attached to the pedagogy of transmission, along with few collaborative work and professional development. This, however, is required by a pedagogic context that demands differentiation and multicultural education. We stated that the current context may be seized as an opportunity to evolve through the strengthening of the professional knowledge.
URI: http://hdl.handle.net/10400.14/16384
Aparece nas colecções:FEP - Dissertações de Mestrado / Master Dissertations
R - Dissertações de Mestrado / Master Dissertations

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