Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.14/15099
Título: Biographie als Anthropophanie über Hölderlins «Tod des Empedokles»
Autor: Fidalgo, António Carreto
Data: 1983
Editora: Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa
Citação: FIDALGO, António Carreto - Biographie als Anthropophanie über Hölderlins «Tod des Empedokles». Didaskalia. Lisboa. ISSN 0253-1674. 13:1-2 (1983) 353-368
Resumo: O drama de Hölderlin «Morte de Empédocles» não representa nem tem por base uma biografia do filósofo grego no sentido vulgar do termo 'biografia': crónica de uma vida. Aliás o drama tece-se à volta de uma legenda, a da morte voluntária de Empédocles no Etna. Mas se o drama de Hölderlin não é uma biografia positiva de Empédocles, ele é a biografia idealista deste filósofo da antiguidade.
Porque Hölderlin «possuía o Espírito, porque ele sentiu a alma comunitária a todos comum e a cada um própria e dela se apoderou, porque ele se assegurou dialecticamente da totalidade da vida», é a recepção de Empédocles por Hölderlin uma recepção idealista e do mesmo modo a sua apresentação. Ao contrário de uma biografia positivista não procura a biografia idealista descrever exaustiva e fielmente os factos atribuídos a um sujeito; ela não pretende «reanimar um morto positivamente». O objectivo da biografia idealista é tão somente a análise do princípio biográfico, i. é, da razão de biografia.
Constituinte último do homem e característica fundamental comum a todos os homens é, para Hölderlin, a vontade de melhor, a acção de aperfeiçoar a natureza circundante. Esta razão de proceder é o princípio biográfico que vai dar sentido e unidade aos múltiplos e variados actos de um indivíduo. O homem é um ser biográfico graças ao princípio que o leva a cumprir a primeira «descrição» na sua própria actuação. Antes de ser descrito o homem descreve-se a si mesmo nas suas acções.
A intelecção em que se baseia um drama é a unidade com todo o vivente. Empédocles é simultaneamente um «filho dos seus céus e da sua pátria», um filho do tremendo contraste entre natureza e arte. Nele reúnem-se os elementos do contraste; o Orgânico e o Aórgico advêm nele um. Esta unidade de contrários ficaria, todavia, improdutiva caso ela não fosse tornada frutífera numa acção livre de Empédocles. Empédocles, o filho da natureza e da arte, entrega-se livremente a cada um dos contrários. Ao dar à natureza linguagem e individualidade na sua condição de filho do orgânico e da reflexão e à arte generalidade e incomunicabilidade pois que filho do inconcebível e do ilimitado, Empédocles faz da unidade uma união. Nele o aórgico torna-se orgânico e o orgânico aórgico. Este momento de união dá uma sensação divina, uma sensação de Tudo em todas as coisas. «Esta sensação pertence talvez ao mais elevado que o homem pode experimentar, pois que a harmonia actual lembra-lhe a relação pura de antanho e ele sente-se a si e à natureza duplamente e a ligação é infinita».
A tragédia, porém, consiste no facto de que essa união é um momento passageiro. Este momento é simultaneamente o momento da maior inimizade. Na união não desaparece a diferença dos contrários, diferença essa que os leva a repelirem-se. O momento da unidade dissolve-se. Empédocles tinha, assim, necessariamente de ser imolado no movimento eterno de união e repulsa dos elementos contrários, i. é, do aórgico e do orgânico.
As três versões que o drama conhece são motivadas pela contínua tentativa de Hölderlin de determinar melhor o momento fatal (Schicksal) da figura de Empédocles. Só na terceira versão consegue Hölderlin apresentar claramente a intersecção de necessidade e liberdade. Se na primeira versão a queda de Empédocles se deve ao excesso, ao orgulho da palavra pronunciada, e se na segunda se deve à revelação do segredo divino análoga ao acto de Prometeu, já na terceira aparece o humano do homem como causa do seu declínio. Porque o homem, por sua natureza, une em si o que se contraria, tem de perecer necessariamente.
Na união de contrários o homem revela-se. O Fado expõe a razão do seu agir. Pausânias reconhece esta antropofania nas seguintes palavras: «Não te vi eu nas tuas obras? No poder do estado, que recebeu de ti forma e sentido, experimentei o teu espírito e o seu mundo». Ao dizer, porém, ao mestre: «Sê quem tu és» Pausânias não compreende a necessidade da queda. Empédocles responde-lhe: «Eu não sou quem sou, Pausânias». É que Empédocles era apenas um momento da unidade e não a unidade.
Peer review: yes
URI: http://hdl.handle.net/10400.14/15099
ISSN: 0253-1674
Aparece nas colecções:RD - 1983 - Vol. 013 - Fasc. 1 e 2

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