Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.14/14467
Título: Einheit und Vielfalt der Evangelien am Beispiel der Redaktion von Wundergeschichten (insbesondere Mk 5,25-34 parr.)
Autor: Verweyen, Hansjürgen
Data: 1981
Editora: Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa
Citação: VERWEYEN, Hansjürgen - Einheit und Vielfalt der Evangelien am Beispiel der Redaktion von Wundergeschichten (insbesondere Mk 5,25-34 parr.) Didaskalia. Lisboa. ISSN 0253-1674. 11:1 (1981) 3-27
Resumo: UNIDADE E DIVERSIDADE DOS EVANGELHOS A PARTIR DO EXEMPLO DA REDACÇÃO DAS HISTÓRIAS DOS MILAGRES
(Especialmente Mc 5, 25-34 par.)
I — Observações preliminares
Como deve entender-se o facto que, não só no decurso dos tempos, mas logo desde os princípios, haja retratos tão diversos da figura de Jesus?
A resposta a esta pergunta tem sido procurada em diversas direcções:
1) Para uns, a exegese bíblica deve ter como norma fundamental a vivência do Espírito de Cristo. Mas esse critério é diversamente aplicado: enquanto certas confissões cristãs apelam para a acção do Espírito que se manifesta em cada situação concreta, a Igreja Católica baseia-se sobretudo nas orientações ditadas pelo seu magistério.
2) Outros, tais como o Catecismo Católico do Episcopado Alemão anterior ao Concílio (1955), tentam fazer uma «harmonização dos Evangelhos», sem grande atenção pelo estilo, pela teologia e pelo contexto em que se inserem os textos coligidos.
3) Uma tal sobrevalorização da unidade dos Evangelhos provocou uma reacção, encabeçada por A. Schweitzer, que se propôs reconstruir o verdadeiro retrato de Jesus a partir de um objectivo puramente histórico. Todavia ainda aqui o centro de interesse permanecia demasiadamente ligado à história crítica da vida de Jesus e não havia a percepção de uma teologia específica de cada evangelista. Neste último aspecto diversifica-se a «nova procura do Jesus histórico» (J. M. Robinson, 1959), cuja historiografia existencial se desenvolveu em estreita relação com o método da história da redacção. E é aqui que se situa a presente temática: a investigação acerca daquele único fundamento de todos os Evangelhos, o Jesus histórico, deve andar a par com um interesse pela teologia de cada transmissor da tradição, especialmente os evangelistas. Diz-se intencionalmente «andar a par», pois que se devem procurar harmonicamente estas duas metas da análise sem se abandonar o método histórico-crítico e sem se cair no perigo de um regresso às antigas harmonizações dos Evangelhos.
II — Considerações hermenêuticas
À teologia fundamental, que há-de mostrar a solidez dos motivos em que se apoia a fé cristã, compete abordar a problemática do Jesus histórico. Todavia a sua investigação não pode situar-se no campo do «puramente histórico», excluindo qualquer compromisso existencial com Cristo, objecto da fé. A redução do Jesus histórico aos dados anteriores ao querigma (Bultmann), ou a tentativa de distinguir nos Evangelhos querigma e história (post-bultmanianos), pressupõem que não se reconhece ao querigma uma dimensão histórica. Ora os factos que não se podem objectivar na esfera de um observador neutral não são menos verdadeiros que os factos relativos à fé. As testemunhas evangélicas transmitem-nos o «Jesus integral», que comporta história e fé.
O interesse actual pela história da tradição que precede os Evangelhos leva-nos a supor que se pensa que as primitivas etapas da tradição nos fornecem melhores elementos sobre o verdadeiro Jesus da história que aqueles que podemos encontrar nos Evangelhos. Mas este pressuposto não tem na devida conta a função mediadora das testemunhas, que nos transmitem não apenas «uma verdade da fé», mas toda a verdade que está contida naquele facto da história.
Daqui já se podem deduzir princípios metodológicos relativamente à questão sobre um único Evangelho nos quatro Evangelhos: não se deve partir tanto das diferenças dos Evangelhos para se chegar a uma tradição primitiva comum, mas antes há que se fixar na imagem que resulta de tão diversas representações de Jesus.
Vamos agora concretizar estas reflexões genéricas na questão dos milagres de Jesus. Na tradição dos milagres, tal como nos é reconstruída pelos exegetas, distinguem-se três níveis.
Ao 1.° nível pertencem os milagres que no parecer da maioria dos exegetas remontam à actividade de Jesus.
Ao 2.° nível pertencem aquelas histórias de milagres com uma reflexão cristológica das comunidades cristãs. Neste grupo podem enumerar-se as seguintes narrações: multiplicação dos pães, ressurreições de mortos, o caminhar de Jesus sobre as águas, a tempestade amainada. Com efeito nestes relatos pretende-se mostrar a grandeza de Jesus em comparação com determinadas figuras do A. T. e mesmo com Jahweh.
No 3.° nível incluem-se colecções escritas, das quais se serviram os evangelistas como parte essencial para os seus relatos. Muitos críticos pressupõem a existência de uma colecção de milagres pré-marcianos, de um «Livro de milagres» pré-joânico e de outras fontes, entre as quais se enumera a Quelle (cf. Mt 8, 5-15; 21, 18-22).
O objectivo que presidiu à elaboração das narrações do 2.º nível esteve também presente noutros relatos. As alterações que os evangelistas fizeram ao material das fontes não se devem a um conhecimento mais perfeito dos factos, mas simplesmente à intenção teológica de cada um. Cabe mesmo perguntar-se se as histórias de milagres que fazem parte do material próprio de cada evangelista dependem só dos relatos dos dois primeiros níveis ou se reflectem sobretudo a teologia dos mesmos.
III — A cura da hemorroissa nos Evangelhos Sinópticos (Mc 5, 25-34; Mt 9, 20-22; Lc 8, 43-48).
A referida problemática hermenêutica pode observar-se claramente num exemplo da história da redacção de um relato de milagre que é transmitida nos três Sinópticos com um objectivo teológico muito preciso: a cura da hemorroissa.
Esta perícopa teve um significado profundo para os três Sinópticos. Isto verifica-se sobretudo no trabalho redaccional de Mateus e de Lucas e na função que este relato exerce na composição geral do Evangelho de Marcos. Mas nenhum Sinóptico concentra o seu interesse na cura extraordinária enquanto tal realizada mediante o simples contacto com as vestes de Jesus, que talvez no princípio tivesse ocupado o centro de uma «história de milagre do primitivo cristianismo». A finalidade do trabalho redaccional foi finalmente a de apresentar este facto como um milagre da fé. Todas as três versões devem ter tido como ponto de partida a consciência de um problema fundamental da história da tradição: por uma parte parecia fora de qualquer dúvida que Jesus tivesse realizado curas admiráveis; por outra parte, a forma em que os relatos de tais curas eram transmitidos parecia não corresponder à experiência normal de Jesus, que servia de fundamento a toda a tradição cristã autêntica. Por isso era necessário, no processo da transmissão das «histórias de milagres do primitivo cistianismo», libertar o verdadeiro poder taumatúrgico de Jesus daqueles elementos que eram comuns a outros esquemas de narrações de milagres largamente difusos naquele tempo. Exactamente as três versões da cura da mulher com um fluxo de sangue que nos foram transmitidas oferecem-nos um exemplo típico para um trabalho de crítica redaccional, nomeadamente na tensão que surge entre a cura extraordinária e a respectiva palavra sobre a fé.
Em todas as versões o acento é deslocado do facto maravilhoso enquanto tal, capaz de ser constatado objectivamente, para Jesus, que é o centro do acontecimento; é só em referência a Ele e à sua palavra que se decide se aquilo que o homem por seu intermédio experimenta é um verdadeiro milagre ou apenas um desabrochar da fé.
MANUEL ISIDRO ALVES
Peer review: yes
URI: http://hdl.handle.net/10400.14/14467
ISSN: 0253-1674
Aparece nas colecções:RD - 1981 - Vol. 011 - Fasc. 1

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