Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.14/13973
Título: O luto profissional nos enfermeiros
Autor: Gama, Maria Georgeana Marques da
Palavras-chave: luto
perda
morte
sentido da vida
crescimento pessoal
enfermeiro
mourning
loss
death
sense of life
personal growth
nurse
Data de Defesa: 2014
Resumo: O crescente contacto do enfermeiro com a morte em contexto profissional tem sido muitas vezes perspectivado num sentido negativo pelas dificuldades emocionais que desencadeia e pelas consequências de sobrecarga nos profissionais de saúde, conducentes a processos de evitamento relacional e de isolamento social e profissional. A exposição diária à morte e ao processo de morrer, para além da sobrecarga de luto, pode constituir-se num desafio ao crescimento pessoal e profissional dos enfermeiros. Lidar com a morte e o processo de morrer traduz-se fundamentalmente num trabalho de confronto de perdas através de um processo que oscila entre o evitamento e intrusão. A forma como os profissionais de saúde desenvolvem o processo de luto profissional é modelado por variáveis sociodemográficas, pessoais, situacionais, organizacionais, experiência e formação profissional, vivências pessoais e profissionais marcantes. Estas várias determinantes da vida pessoal e profissional dos profissionais de saúde modelam crenças e perspectivas pessoais e existênciais sobre o significado da vida, sobre o medo/ ansiedade e a atitude geral perante a morte influenciando o processo de luto profissional. O estudo tem como finalidade avaliar as consequências do luto profissional com vista a elaborar estratégias formativas com incidência na prevenção da sobrecarga de luto, mas também no estímulo ao crescimento pessoal e profissional e assume duas vertentes essenciais. A construção e validação de um instrumento de medida da sobrecarga de luto profissional (SLP) a que designámos luto insulado e de cuja factorização emergiram 4 dimensões fundamentais: confinamento atormentado, esforço emocional no cuidar, perda nostálgica e partilha incompreendida. Numa segunda fase procurou-se identificar os factores que interferem no processo de luto profissional. O estudo é de natureza quantitativa, transversal, descritivo, correlacional. Foi estudada uma amostra acidental de 360 enfermeiros, respondendo a 70.6% da totalidade de enfermeiros dos serviços de medicina interna, oncologia, hematologia e cuidados paliativos de cinco instituições de saúde do Distrito de Lisboa. Na recolha de dados foram utilizados um questionário sociodemográfico e profissional (QSDE), a versão portuguesa da Death Attitude Profile Scale (DAP-R), a Escala sobre o Sentido de Vida (PIL), a escala de Estilo de Vinculação (EVA), a Escala de Sobrecarga do Luto Profissional (SPL), o Burnout Maslasch Inventory (MAS). Pudemos concluir que a escala de sobrecarga de luto profissional (SLP) constitui um instrumento com bons argumentos de fidelidade (coeficiente alpha de Cronbach = .81) e de validade convergente e discriminante para medir o luto profissional em contexto clínico e epidemiológico. Verificámos como factores determinantes na sobrecarga de luto profissional: idade, o baixo sentido de vida, um estilo de vinculação ansiosa e atitude de medo perante a morte para além da idade, e como factores de crescimento pessoal: um alto sentido de vida e uma vinculação segura. Estes ultimos factores apresentavam níveis significativamente mais elevados nos enfermeiros integrados em equipas de cuidados paliativos quando comparados com outros tipos de serviços hospitalares. A constatação de que estas variáveis se sobrepunham como factores determinantes aos anos de formação e de experiência profissional suscitam a proposição de estratégias de formação específicas na área do luto profissional.
The increasing contact of nurses with death, in a professional context, has often been perceived in a negative way because of the emotional difficulties involved and the overload consequences on health professionals that lead to processes of relational avoidance and of social and professional isolation. Over and above mourning overload, daily exposure to death and to the dying process may be a challenge to nurses’ personal and professional growth. Dealing with death and the dying process is essentially a task of facing loss through a process that sticks between avoidance and intrusion. The way the health professionals develop the process of professional mourning is shaped by sociodemographic, personal, situational and organizational variables, practice and professional training, meaningful personal and professional life experiences. These different determinants of health professionals’ personal and professional life shape their personal and existential beliefs and perspectives on the meaning of life, on anxiety and the general attitude towards death. Thus it influences the process of professional mourning. This study aims at evaluating the consequences of professional mourning in order to build training training strategies focused on overload mourning prevention; it also faces professional mourning as an incentive to personal and professional growth. In a first phase we constructed and validated an instrument for measuring overload of professional mourning (SLP), we called insulated mourning. Four fundamental dimensions emerged from the factor analysis: tormented confinement, emotional effort to care, nostalgic loss and misunderstood sharing. In a second phase we tried to identify the factors that interfere in the process of professional mourning. This is a quantitative, transversal, descriptive, correlative study. We have studied an accidental sample of 360 nurses: they are 70.6% of all nurses in services of internal medicine, oncology, hematology and palliative care of five health institutions in the District of Lisbon The data was collected through a sociodemographic and professional questionnaire (QSDE), the Portuguese version of Death Attitude Profile Scale (DAP-R), the Scale about the Purpose in Life (PIL), the Scale of Style of Attachment (SSA), the Scale of Overload of Profissional Mourning (SPL), and the Burnout Maslasch Inventory (MAS). We could conclude that the scale of overload of professional mourning (SLP) is an instrument with good arguments for fidelity (α Cronbach = .81) and for convergent and discriminating validity to measure professional mourning in a clinical and epidemiological context. As determinative factors in what concerns overload of professional mourning we found: age, low purpose in life, a style of anxious attachment and attitude of fear towards death, and as factors of personal growth: a high purpose in life and a safe attachment style. These last factors showed significantly higher levels in nurses integrated in teams of palliative care when compared with other types of hospital departments. We found that these variables, as determinative factors, superposed years of training and of professional practice. Therefore, they lead us to purpose specific training strategies in the area of professional mourning.
URI: http://hdl.handle.net/10400.14/13973
Aparece nas colecções:R - Teses de Doutoramento / Doctoral Theses
ICS(L) - Teses de Doutoramento / Doctoral Theses

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