Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.14/13760
Título: Traduzir um texto inacabado : O livro do desassossego em Portugal e na Alemanha
Autor: Lindemann, Verena Pia Sonia Monika
Orientador: Lopes, Alexandra
Data de Defesa: 17-Jan-2014
Resumo: Apesar de nunca ter sido publicada numa versão autorizada pelo autor, o Livro do Desassossego marcou a receção da obra pessoana fora e dentro de Portugal. Dos por volta de quinhentos fragmentos da primeira edição em livro, publicada em 1982, Pessoa apenas publicou doze. Além de inéditos, os trechos também não estavam organizados, mas encontravam-se dispersos na famosa arca de Pessoa. Por isso, a publicação em volume exige um trabalho editorial considerável requerendo, além da transcrição dos manuscritos, escolhas a nível da ordenação e seleção dos textos. De facto parece possível defender que existe uma intervenção coautoral dos editores que se manifesta nas diversas edições, dando origem a versões distintas do Livro que resultam de escolas e abordagens teóricas e editoriais diferentes. Também no contexto da tradução, o Livro é particularmente interessante por levantar a questão de saber como se traduz um texto que só existe em formas múltiplas. Em alemão existem, por exemplo, duas traduções com abordagens diferentes relativamente às edições portuguesas. O primeiro tradutor, Georg Rudolf Lind, propõe uma seleção e ordem própria dos fragmentos, em vez de respeitar a organização da primeira edição portuguesa. Na segunda tradução, pelo contrário, a tradutora segue a organização proposta na edição portuguesa de Richard Zenith, mas pretende, ao mesmo tempo, fazer uma revisão da versão de Lind, apesar das diferenças em termos de ordem e seleção dos trechos. Devido à falta de uma versão definitiva, o Livro do Desassossego levanta várias questões a nível da autoria e da circulação do texto, pondo em causa as noções românticas de obra e autor. A presente dissertação analisa, por isso, as edições portuguesas e as traduções alemãs, sugerindo que representam versões diferentes que assentam em interpretações distintas. Em vez de um objeto estável, trata-se de um processo inacabado de produção de significado em que vários indivíduos contribuem para a construção da obra. Nesta perspetiva, as fronteiras entre edição e tradução, entre texto de partida e texto de chegada tendem a apagar-se e não se conceptualiza a figura do autor como um indivíduo que dá origem a uma obra, mas como uma construção cultural que serve para classificar e caracterizar realidades discursivas. Deste modo, apesar da pluralidade textual, os nomes da obra e do autor servem para unir as várias versões num projeto comum e condicionam a circulação do Livro dentro e fora de Portugal.
Although the Livro do Desasossego has never been published in an authorized version by the author, it has had an important impact on the reception of Fernando Pessoa’s work both in Portugal and abroad. Pessoa published only twelve of the over five hundred fragments of the first edition which appeared in 1982. Therefore, all existing Portuguese editions are based on a process of transcription, selection and organization of the otherwise unorganized and unpublished texts, an organization performed not by the author, but by several editors. Consequently, it seems possible to argue that the editors intervene in a co-authorial way, creating different versions of the text, which are the result of different theoretical and editorial schools and approaches. The Livro do Desassossego gains a particular relevance when one considers its translations because they challenge the notion of a stable source text. In the case of the German translations, for instance, there are two translations, each with a very different approach to the Portuguese editions. The first translator, Georg Rudolf Lind, proposes a new organization and selection, instead of following the source text of the first Portuguese edition. In the second translation, the translator respects the organization proposed by Richard Zenith’s Portuguese edition, while wishing to revise the first translation at the same time, even if it differs significantly from it in terms of selection and order. Due to the inexistence of a definite version, the Livro do Desassossego challenges the romantic notion of authorship and allows for new perspectives on the relationship between authorship and text circulation. Therefore, the aim of this dissertation is to study the different Portuguese editions and the German translations, suggesting that they may represent different versions, which offer different interpretations of the text. The work does not seem to be a stable object, but rather an unfinished signifying process in which several individuals participate. In this perspective, the borders between edition and translation, between source and target texts tend to be erased, and the author is not conceptualized as a historical figure, but rather as a cultural construct which classifies and characterizes discursive realities. Therefore, despite its textual plurality, the names of the work and author unify different versions in a joint project and condition the circulation of the Livro in Portugal and abroad.
URI: http://hdl.handle.net/10400.14/13760
Aparece nas colecções:R - Dissertações de Mestrado / Master Dissertations
FCH - Dissertações de Mestrado / Master Dissertations

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