Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.14/12617
Título: A reconstrução da autonomia após um evento gerador de dependência no autocuidado
Autor: Brito, Maria Alice Correia
Orientador: Silva, Abel Avelino Paiva e
Palavras-chave: Autocuidado
Autonomia
Transição
Enfermagem
Self-care
Autonomy
Transition
Nursing
Data de Defesa: 2013
Resumo: A investigação tomou por objeto de estudo o autocuidado, tendo por finalidade desenvolver uma teoria explicativa sobre a reconstrução da autonomia no autocuidado, após um evento gerador de dependência. A investigação desenvolvida englobou dois estudos: o primeiro teve por objetivo dimensionar o fenómeno da dependência no autocuidado no momento da alta hospitalar e o segundo visou explorar em profundidade o processo de reconstrução da autonomia no autocuidado, após um evento gerador de dependência vivenciado. O percurso da investigação decorreu entre junho de 2008 e setembro de 2010, numa Unidade Local de Saúde da região norte. Colaboram no estudo pessoas que vivenciaram dependência no autocuidado. Dos resultados verificou-se que o autocuidado constitui o foco a que os enfermeiros mais recorrem para descrever necessidades em cuidados dos seus clientes em contexto hospitalar. Para traduzir as necessidades em cuidados de enfermagem no domínio do autocuidado dos doentes é associado mais frequentemente o juízo “dependência”. Enquanto processo, a reconstrução da autonomia no autocuidado tem início e termo e decorre num determinado período de tempo. Os processos patológicos, por si só, não desencadeiam a consciencialização face às mudanças que ocorrem na vida das pessoas, nem o início da reconstrução da autonomia. São as mudanças em si, como as alterações nos processos corporais e as alterações na ação realizada pelo próprio, e a confrontação com o que consegue ou não fazer, que fazem com que a pessoa se vá consciencializando. Sendo esta última descrição o que determina o início do processo de reconstrução da autonomia e a vivência ativa da transição. Dos aspetos que mudam e ficam diferentes destacam-se o deixar de fazer o cuidado doméstico, as compras, a alteração no regime terapêutico, a acessibilidade, o gastar mais tempo na realização das atividades, a mudança nas rotinas/hábitos, o permanecer mais tempo em casa e o ficar dependente para a realização das atividades inerentes aos requisitos universais de autocuidado. O processo de reconstruir a autonomia implica tomar decisões relacionadas com o trabalho de transição, nomeadamente o gerir recursos humanos, recursos institucionais e equipamentos ou produtos de apoio. Simultaneamente, é inevitável o desenvolvimento de competências de autocuidado da pessoa com dependência e a necessidade de, pelo menos, um membro da família assumir o papel de prestador de cuidados. No decorrer do processo há fatores considerados críticos como as condições pessoais, os recursos da comunidade, o suporte e a condição de saúde que determina a forma como a pessoa vivencia a transição Os indicadores de resultado da transição traduzem-se no aumento do nível de mobilidade, a diminuição do nível de dependência, na redução do número de quedas, “numa atividade nova tornar-se um hábito”, no retomar da vida social e numa reformulação positiva face ao pedir ajuda. As terapêuticas de enfermagem que emergiram como promotoras de uma transição saudável foram: promover a consciencialização face às mudanças que estão ou que vão ocorrer, avaliar o nível de dependência e identificar com a pessoa as mudanças e diferenças percecionadas; facilitar a tomada de decisões, proporcionando informação válida para a tomada de decisão; identificar antecipadamente necessidades de mudanças na habitação, avaliar condições habitacionais e avaliar recursos disponíveis; desenvolver competências de autocuidado, instruir e treinar estratégias de autocuidado, advogar, instruir e treinar o uso de produtos de apoio; promover o “tomar conta” – reunir com a família, apoiar na gestão das tarefas, de recursos e produtos de apoio e desenvolver competências para “tomar conta”.
The research developed assumed self-care as object of study. The study aimed to develop a theory on rebuilding of autonomy in self-care, after an event generator of dependence. The investigation included two studies: the first, aimed to characterize the phenomenon of dependence on self-care at discharge moment and the second aimed to explore in depth the process of self-care autonomy reconstruction, after an event generator of dependence. The research was conducted between June 2008 and September 2010, in a Local Health Unit in the northern region. The patients that participated in the study were those who have dealt with self-care dependence. From the results was verified that self-care was the focus of attention most frequently used by nurses to describe care needs of the hospitalized client. The judgment most often used to translate the clients self-care needs was the judgment "dependence”. As a process, the reconstruction of autonomy in self-care occurs during a period of time, having a beginning and an end. The pathological process itself alone does not lead to the awareness of the changes in people's lives, nor the beginning of the reconstruction of autonomy. The awareness occurs by the confrontation with the alterations in life, the body changes, the modifications in the routinely actions and the identification of what cannot do. From all the aspects that change and look different, we highlighted the incapacity to perform homecare and shopping, the modification in the treatment regimen, the accessibility, to spend more time during the activities, the alterations in routines / habits, to stay longer at home and to be dependent on self-care activities. The process of rebuilding the autonomy implies to make decisions related to transition process, particularly to managing the human resources, institutional resources and support equipment and products. Simultaneously, it is inevitable the development of self-care competencies and the role of the caregiver. During the transition there are factors considered critical to the personal conditions, community resources, the support and the health condition that determines the way of experiencing the transition. The outcome indicators are related to the increased in the mobility level, the lowering of dependence level, the reduction of falls, the “adoption of new habits”, the beginning of social activities, and the adoption of a positive attitude related to ask for support. The nursing therapeutics promoters of healthy transition that emerged throughout the study were: to promoting awareness of the changes that are or will occur, to assess the dependence level and to identify the person changes and the perceived differences; to facilitating decision making, proving valid information to decision making process; to identifying in advance the need of alterations of housing conditions, to assess housing conditions and to assess available resources; to promoting the development of self-care competencies, to instructing and to training self-care strategies, to advocating, educating and training the use of support products and equipment; to promoting the caretaking, to get together with the patient family, to support the management of tasks, and support resources products, and to develop caregiver role competencies.
URI: http://hdl.handle.net/10400.14/12617
Aparece nas colecções:R - Teses de Doutoramento / Doctoral Theses

Ficheiros deste registo:
Ficheiro Descrição TamanhoFormato 
tese_alicebrito_reconstrucao_autonomia_autocuidado.pdf2,95 MBAdobe PDFVer/Abrir


FacebookTwitterDeliciousLinkedInDiggGoogle BookmarksMySpace
Formato BibTex MendeleyEndnote Degois 

Todos os registos no repositório estão protegidos por leis de copyright, com todos os direitos reservados.