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Título: Um cartaz espantando a multidão: António Ferro e outras almas do modernismo banal
Autor: Trindade, Luís
Palavras-chave: Modernismo
Cinema
Hegemonia
Imprensa
Civilização escrita
Modernism
Hegemony
Press
Written word
Data: 2009
Editora: Bond
Citação: TRINDADE, Luís – Um cartaz espantando a multidão: António Ferro e outras almas do modernismo banal. Comunicação & Cultura. Lisboa. ISSN 1646-4877. 8 (Outono-Inverno 2009) 89-102
Resumo: «A alma de António Ferro é um cartaz espantando a multidão», garantiu o próprio Ferro no prefácio que escreveu para a sua Teoria da Indiferença, em 1920. Ferro era, no início dos anos de 1920, o autor mais visível do processo de vulgarização do modernismo após Orpheu: nessa altura, um modernismo banal foi-se formando em jornais, magazines e novelas populares. O uso constante de metáforas familiarizou o público com uma série de tropos que pretendiam descrever em que consistia a vida do século xx. No essencial, tratava-se de uma insistência em imagens sobre a frivolidade e a sofisticação da mulher («as bonecas são os livros das mulheres») e sobre a modernidade tecnológica («a arte é a luz eléctrica da vida»), sobretudo no que dizia respeito às novas máquinas de reproduzir imagens. Ferro não estava só enquanto poster: o papel couché era o «ecrã dos magazines», as novelas podiam ser «kodaks instantâneos», enquanto Madame Film, personagem de outro livro de Ferro, tinha um «corpo em film, todo movimento». Este artigo pretende sugerir que os jogos metafóricos entre as palavras e as imagens foram um momento decisivo num processo mais geral de mudança na hegemonia política do campo cultural, em que precisamente as imagens desafiaram o poder tradicional das palavras. Quando Ferro garantiu, como novo director da Ilustração Portuguesa, em 1921, que o seu magazine inventaria Lisboa, estava simplesmente a iniciar um processo no qual Portugal seria reinventado através de imagens, como ficaria claro, na década seguinte, com a propaganda do Estado Novo.
“António Ferro’s soul is a poster to astonish the crowd”, Ferro himself assured in the preface he wrote to his own Teoria da Indiferença, of 1920. Ferro was, at the beginning of that decade, the most visible author of the process of modernism’s vulgarization that followed Orpheu: a banal modernism was thus constituted through newspapers, magazines and short novels. Its constant use of metaphors familiarized the public with a certain number of tropes aiming at expressing what was supposed to distinguish a twentieth-century lifestyle. It basically insisted on images of women’s frivolity and sophistication (“dolls are women’s books”) and of technological modernity (“art is life’s electric lighting”), especially as far as the new machines for image reproduction were concerned. Ferro was not alone as a poster; coloured paper was the “screen of magazines”, novels were “instantaneous Kodaks”, while Madame Film, a character in another of Ferro’s books, had “a filmic body, all movement”. This paper will argue that the metaphorical play on words and images was a decisive moment in a more general process of change in the political hegemony of the cultural field in which images specifically challenged the traditional power of words. When Ferro affirmed in 1921, as the new director of Ilustração Portuguesa, that the magazine would invent Lisbon, he was simply embarking on a process through which Portugal itself would be re-invented through images, as the following decades, with Estado Novo propaganda, would portray very clearly.
Peer review: yes
URI: http://hdl.handle.net/10400.14/10455
ISSN: 1646-4877
Versão do Editor: http://comunicacaoecultura.com.pt/wp-content/uploads/04.-Luís-Trindade.pdf
Aparece nas colecções:RCC - 008 - 2009 - Imagens da república

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