Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.14/10356
Título: Taufe und Formulierung des Glaubens
Autor: Ratzinger, Joseph
Data: 1972
Editora: Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa
Citação: RATZINGER, Joseph - Taufe und Formulierung des Glaubens. Didaskalia. Lisboa. ISSN 0253-1674. 2:1 (1972) 23-37
Resumo: O tema «baptismo e formulação da fé» põe-se de modo diferente, conforme se considera a partir da teologia moderna ou da antiga. Na teologia moderna desapareceu quase totalmente, enquanto nos primeiros séculos da Igreja encontrava no contexto do baptismo o seu lugar privilegiado. No esquema da doutrina sacramentária, dominante desde a Idade Média, o tema da fé poderia ser tratado a propósito da questão da forma sacramental e do sujeito do sacramento. De facto assim sucede, mas tem apenas uma existência estranhamente atrofiada. A fé exige-se como pressuposição do baptismo: não para a validade, mas apenas para a liceidade, como uma entre outras condições. Entende-se a fé no sentido de adesão a um conjunto de verdades e não de modo amplo, como aliás ainda sucedia em Trento (cfr. DS 1526). Nesta redução da fé, na sua relegação para o acto preparatório da justificação e do baptismo, como se concebe a importância da fé e da formulação da fé? Um documento da Congregação da Propaganda Fide de 1703 traz alguma luz: proíbe que, mesmo em perigo de morte, se baptize quem não conhece os mistérios necessários para a salvação (cfr. Heb 11,6) e requere para o caso normal, fora de perigo de morte, entre outros conhecimentos, o do símbolo da fé. A enumeração dos diversos elementos mostra a ligação com o catecumenato antigo e assim com o contexto do baptismo e da formulação da fé; ao mesmo tempo, torna-se clara a ponte entre o rito da administração do sacramento e a formulação da fé. Tudo isto representa, porém, um atrofiamento. O aspecto teológico-dogmático fica descrito, mas não é tudo, pois a fé emerge ainda, lateralmente, no quadro do rito litúrgico. Na liturgia do baptismo, conforme o previsto no ritual romano até agora, a fé entra em cena três vezes: na recitação do símbolo, no interrogatório correspondente à renuncia a Satanás, na fórmula sacramental. O símbolo representa o resto que permanece da traditio e redditio symboli. O interrogatório, que como pactio positiva exprime a aliança da fé, transmite um texto mais arcaico que o textus receptus do Símbolo dos Apóstolos e, juntamente com a mersio, constitui o cerne de todas as antigas formas baptismais. Desde a Idade Média, foi, no entanto, retraído para o catecumenato, para a «preparação da justificação». A fórmula sacramental, originalmente «breve fórmula de fé» (cfr. Mt 28,19), transformou-se em uma simples forma de administração que, em unidade com o acto da aspersão da água, representa o mínimo das condições exigidas para a validade do baptismo. O tema «baptismo e formulação da fé» ficou, portanto, quase sem lugar. Realmente, tanto o conceito da fé como o do baptismo isolam-se e, por isso, a sua relação passa a ser problema. Esta evolução produziu no campo católico uma doutrinalização da fé. Em consequência disso, as formulações da fé ganham um carácter mais teorético. Assim, onde hoje se põe de novo a questão dos símbolos, aparecem fórmulas breves que, na verdade, são recapitulações abstractas de uma teologia (cfr. as tentativas de K. Rahner) e denotam falta de sentido para o significado original das fórmulas de fé. Lutero opôs-se, decididamente, a uma tal doutrinalização e procurou dar, de novo, à fé o seu carácter pessoal. Não foi recuperado, porém, esse contexto original da fé que se manifesta através do seu enquadramento primitivo no interrogatório do baptismo. Sobretudo, continuou a diminuir a possibilidade de compreender o sentido dos sacramentos. O conhecimento da relação entre baptismo e formulação da fé na Igreja antiga oferece um contributo decisivo para sair do impasse em que caiu a questão «baptismo e fé». Os rituais do baptismo mais antigos não conhecem uma fórmula baptismal no sentido hodierno, mas, em vez disso, o interroga-tório em que o símbolo se divide em três perguntas cuja tríplice resposta, ligada do lado do baptizando com o acto da tríplice imersão, constitui, ao mesmo tempo, a forma de administração do baptismo. Com base neste dado, pode estabelecer-se a seguinte tese: a formulação da fé em símbolos tem o seu lugar originário, primàriamente, no contexto do baptismo; a fórmula provém e permanece relacionada com o acontecimento do baptismo, a partir do qual deve, portanto, ser compreendida. Esta tese precisa de ser ainda diferenciada. Na realidade, o fenómeno complexo do baptismo, segundo os seus diferentes momentos sucessivos, ajudou a formar dois tipos de confissões de fé: o catecumenato levou aos sumários de doutrina, à «regula»; a administração do baptismo ao símbolo (profissões «declaratórias» e «interrogatórias»). Os dois tipos correspondem às diferentes tarefas e funções de que nasceram e exprimem também diferentes níveis da realização da fé: o grau da didascália e o do acto da pactio. Não está ainda, apesar do estudo de A. Stenzel, suficientemente esclarecido o processo histórico da separação do símbolo e da fórmula baptismal, com o consequente desvio do símbolo para a liturgia da preparação. Antes de uma tal confusão e separação existia uma relação estreita entre fórmula de fé e sacramento. Para a compreender deve ter-se em consideração todo o complexo do baptismo com os diferentes graus do catecumenato que, iniciado por mestres privados, assume cada vez mais carácter oficial à medida que a Igreja entra gradualmente no desenrolar do acontecimento. O termo final do processo é a noite baptismal, o não e o sim, o banho da água e a unção. O acontecimento do baptismo exprime, portanto, a convicção de que a fé é uma decisão pessoal do homem, mas, para além disso, também um encontro, um ser-aceite e um deixar-se-aceitar pela comunidade dos crentes. A fé não esgota a sua plenitude em uma decisão privada de conversão, mas só se torna ela mesma quando é testemunhada no sim público da profissão e acolhida pela comunidade dos crentes. Assim o acto de fé não pode realizar-se a não ser publicamente diante da Igreja e deixando-se assumir na dualidade de pergunta e de resposta, de modo a permitir a sua união com o único sujeito do Credo: a Mater Ecclesia. No duplo aspecto de aceitar e deixar-se-aceitar está incluído o facto de a Igreja, no acto da aceitação, saber e confessar que não age independente-mente, por si só, mas em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; portanto, que a sua aceitação está envolvida pelo seu próprio deixar-se-aceitar e ser-aceite. Desta tríplice demarcação testemunha o sacramento que assim não está ao lado do acto de fé, mas é a sua dimensão eclesial e ao mesmo tempo a dimensão teológica do eclesial. Isto significa para a presente questão que a fé remete para a profissão, a profissão para a comunidade, a comunidade para a liturgia: neste círculo da forma verdadeira e plena do sacramento do baptismo tem a formulação da fé o seu lugar originário e central.
Peer review: yes
URI: http://hdl.handle.net/10400.14/10356
ISSN: 0253-1674
Aparece nas colecções:RD - 1972 - Vol. 002 - Fasc. 1

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