Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.14/10282
Título: Da hospitalidade em Derrida ao acolhimento em saúde
Autor: Meneses, Ramiro Délio Borges de
Orientador: Brito, José Henrique Silveira de
Data de Defesa: 2013
Resumo: A hospitalidade incondicional não é senão exposição à vinda daquele que vem, que é acolhido. Será uma hospitalidade que dá aquilo que não tem, aquilo que não possui como próprio. Assim, é uma hospitalidade como impossível. Faz o impossível e é, não apenas impossível, como um convite a fazer aquilo que é impossível. Logo, a hospitalidade absoluta exige que me abra em ―chez moi‖ ( em minha casa) e que me dê não só ao estrangeiro, como também ao Outro absoluto, desconhecido, anónimo, e que eu lhe dê lugar, que o deixe vir, que o deixe chegar e ter um lugar no lugar, que lhe ofereça, sem lhe pedir reciprocidade, nem mesmo o seu nome A lei da hospitalidade incondicional manda acolher incondicionalmente, ou seja, sem poder sobre o visitante ou o absoluto que chega. A esta forma de hospitalidade, Derrida designa a hospitalidade de visitação, contraposta à hospitalidade condicional ou normativa, a que obedece à lógica do convite. A hospitalidade é desconstrução e a desconstrução é hospitalidade. A hospitalidade pura e incondicional, a própria hospitalidade abre-se, está antecipadamente aberta ao que não é nem esperado, nem convidado, a quem chegua como visitante absolutamente estrangeira, em chegante não identificável e imprevisível, como absolutamente outro. Chamemos a isso hospitalidade de visitação. Derrida refere a hospitalidade condicional como aquela que é oferecida pelo direito,pela política,pela sociologia,etc. Há, com efeito, uma hospitalidade relativa e ad extra, que é narrada pelo conto exemplar e provocante do Desvalido no Caminho. A hospitalidade consiste em acolher o Outro-estranho, sob o mesmo tecto, e ser vulnerável na própria casa, tal como Marta acolheu Jesus em sua casa. No fundo, a hospitalidade constitui-se sobre um fundo aretológico e pode definir-se numa relação fiduciária entre o hóspede e o anfitrião. A hospitalidade é a saída do próprio lugar, para buscar o Outro-estranho como acolhido. Toda a humanização será uma hospitalidade condicional, dado que, por convite, o médico recebe o doente no seu coração. A humanização em saúde implica um novo paradigma, que se denomina ―recitativo elpídofânico‖, decifrado em dois momentos, como vêm expresso na narrativa da hospitalidade de Betânia: contemplação e acção. Esta humanização, fundada num acolhimento elpidofânico,radica numa ―responsabilidade poiética‖ entre um homo mendicans (homem pedinte) e um anfitrião, que vive entre uma ―responsabilidade pística‖ (Maria) e uma ―responsabilidade agápica‖ (Marta). Daqui surge um outro modelo, para a humanização em saúde, que se determina pela ―responsabilidade poiética‖, inspirado na parábola do Bom Samaritano. Também foi possível ao estabelecer a relação entre Desconstrução e Medicina, elaborar um outro paradigma para a humanização em saúde.
Unconditional hospitality is not only exposure to the coming of that coming, which is welcomed. It will be a hospitality that gives what she has, what has not as its own. Thus, it is hospitality as impossible. Does the impossible and is not only impossible, as an invitation to do what is impossible. Therefore, the absolute hospitality requires that I open in "chez moi" and that gives me not only abroad, but also the absolute Other, unknown, anonymous, and I give place, that lets you come, come and let the have a place in the place that offers you, without asking reciprocity, not even your name The law of unconditional hospitality commands unconditionally, without power over the visitor arrives or absolute. This form of hospitality, Derrida means of hospitality for visitors, as opposed to normative or conditional hospitality, which follows the logic of the call. Hospitality is deconstruction and deconstruction is hospitality. The pure and unconditional hospitality, hospitality itself opens, is open to the advance which is neither expected nor invited, who arrives as absolutely foreign visitor in arriving unidentifiable and unpredictable, as absolutely other. Call it the hospitality of visitation. Derrida refers to conditional hospitality such as that offered by the law, politics, sociology, etc. There is, indeed, on a hospitality and ad extra, which is narrated by an exemplary and provocative tale of favor in the Way according to the Good Samaritan. The hospitality consists in welcoming the Other, strange, under the same roof, and be vulnerable at home, as Martha welcomed Jesus into his home. Meanwhile, the hospitality is set on a background aretologic and can set up a trust relationship between the guest and host. Hospitality is the output of the proper place to seek the stranger-Other accepted. All humanization is a conditional hospitality, since, by invitation, the doctor receives the patient in his heart. The humanization of health leads to a new paradigm, which is called "elpidophanic recitative" deciphered in two stages, as they have been expressed in the narrative of hospitality in Bethany: contemplation and action. This humanization, based on a host elpidophanic, rooted in a "poietic responsibility" between a homo mendicans and a host who lives among a "pistic responsibility" (Mary) and a "agapic responsibility" (Marta). Here comes another model for the humanization of health, which describs the "responsibility poietic," inspired by the parable of the Good Samaritan. Also, it was possible to establish the relationship between Medicine and Deconstruction, and develops a different paradigm for the humanization of health according to Derrida´s ―may be‖ philosophy.
L´hospitalité inconditionnelle n’est que l´exposition à la venue de celui qui vient, qui est accueilli. Ce sera une hospitalité qui donnera ce qu´elle n’en a pas, ce qu’elle ne possède pas comme sien. Ainsi, il s´agit d´une hospitalité comme impossible. Elle fait l´impossible et elle est non seulement impossible, comme une invitation à faire ce qui est impossible. Par conséquent, l´hospitalité absolue exige que je m´ouvre ―chez moi‖ et que je me donne non seulement à l´étranger, mais aussi à l´Autre absolu, inconnu, anonyme, et que je lui trouve une place, que je le laisse venir, que je le laisse arriver et avoir une place dans l’endroit qu’on lui offre, sans lui demander la réciprocité, même pas son nom. La loi de l´hospitalité inconditionnelle demande d´accueillir sans condition, c´est-à-dire sans domaine sur le visiteur ou l’absolu arrivé. À cette forme d´accueil, Derrida désigne d´hospitalité pour les visiteurs, par opposition à l’hospitalité conditionnelle ou normative qui obéit à la logique de l´invitation. L’hospitalité est la déconstruction et la déconstruction est l´hospitalité. L’hospitalité pure et inconditionnelle, l´hospitalité elle-même, s´ouvre, est ouverte à l´avance à ce qui n´est pas prévu ni invité, à celui qui arrive en tant que visiteur absolument étranger, comme un arrivant non identifiable et imprévisible, comme absolument autre. Appelons cela l´hospitalité de la visitation. Derrida fait référence à l´hospitalité conditionnelle comme celle qui est offerte par la loi, par la politique, par la sociologie, etc. Il y a, en effet, une hospitalité relative et ad extra, racontée par le conte exemplaire et provoquant du Désemparé dans le Chemin. L´hospitalité consiste à accueillir l´Autre-étrange sous le même toi, et à être vulnérable chez soi, comme Martha a accueilli Jésus chez elle. Fondamentalement, l´hospitalité se fixe sur un fond arétologique et peut se définir dans une relation fiduciaire entre le l´hôte et la personne qui accueille. L´hospitalité est la sortie de la place elle-même pour chercher l’Autre-étrange accepté. Toute humanisation est une hospitalité conditionnelle puisque, par invitation, le médecin reçoit le patient dans son coeur. L´humanisation de la santé implique un nouveau paradigme, nommé ―récitatif elpidophanique‖, déchiffré en deux étapes exprimées dans le récit de l´hospitalité de Béthanie: contemplation et action. Cette humanisation, basée sur un accueil elpidophanique, s’établit dans une ―responsabilité poiétique‖ entre un mendiant et un amphitryon qui vit entre une ―responsabilité pistique‖ (Marie) et une ―responsabilité agapique‖ (Marta). Voici un autre modèle pour l´humanisation de la santé, qui manifeste la ―responsabilité poiétique‖, inspiré par la parabole du Bon Samaritain. Il a aussi été possible, en établissant la relation entre Déconstruction et Médecine, d’élaborer un paradigme différent pour l’humanisation de la santé.
URI: http://hdl.handle.net/10400.14/10282
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