Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.14/10179
Título: Aposiópesis: o silêncio na linguagem dos místicos
Autor: Silva, Carlos Henrique do Carmo
Data: 2011
Editora: Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa
Citação: SILVA, Carlos Henrique do Carmo - Aposiópesis: o silêncio na linguagem dos místicos. Didaskalia. Lisboa. ISSN 0253-1674. 41:2 (2011) 99-184
Resumo: O presente estudo visa reflectir sobre o silêncio na linguagem dos místicos procurando salientar, não só um uso geral relativo ao indizível ou inefável da experiência extática, mas valorizando o seu preciso sentido intermédio, como específico ritmo de pausa. É, aliás, a partir desta categoria da “pausa” ou aposiópesis, que desde a retórica grega assinala essa reticência, que se equaciona o valor de intimidade e solidão do discurso espiritual assim pautado por significativas “interrupções”. Nesta introdução ao tema considera-se, pois, o estatuto alusivo, performativo da linguagem e até a sua fecunda desconstrução face à idealização do seu carácter apofântico paradoxal, expectativa teorética ou de capacidade contemplativa. Numa primeira parte do desenvolvimento esclarece-se o carácter polissémico do «silêncio» atendendo aos diversos âmbitos semânticos e graus relativos à natureza do secreto da mística: desde o voto de silêncio e sua «mudez», até ao dom de “dizer” o indizível, passando pela sua condição voluntária ascética e pelo passivo reconhecimento do seu inefável místico, salientando ainda a via de constituição de uma linguagem pelo negativo (teologia apofática). Exemplifica-se, então, este sentido não apenas tipológico mas também escalonar do silêncio na mística através de um caso (Ir.ª Marie-Aimée de Jesus, OCD, † 1874), de meditação gradual da sua experiência. Ao longo da análise dos doze graus elencados faz-se a contextuação e também estudo complementado sempre em anotações de pé-de-página por comparações que relevam a importância da diferenciação rítmica na prática do silêncio místico. Numa terceira e última parte, adverte-se contra a tentação de fazer do silêncio uma fuga mundi e uma metafísica de gnóstica serenidade do silêncio secreto, como sigé, em contraste com a fecundidade realista das reticências humildes mas bem falantes e vividas da “oração de quietude”. Fazendo apelo à linguagem de vários místicos mais recentes faz-se a síntese deste andamento do valor amoroso e da gradualidade intensiva do silêncio místico nesta escala alternativa à sua hermenêutica tão só contemplativa. Apresenta-se para tal uma esquematização útil e sinóptica da tipologia do silêncio. Enfim, numa nota conclusiva, deixa-se como pista de toda a valorização do silêncio como sábia pausa, e santa reticência na prática da vida interior, a importância da tradição monástica oriental da hesykhía, como exemplo em que se pode rever (ainda de forma esquemática) as diferenciações dos silêncios espirituais, por um exercício integral desta oração de silêncio.
The main purpose of this study is to think about silence in mystical language. It draws attention not only to a general usage regarding the unsayable, or ineffable, within ecstatic experience, but also gives value to its precise intermediate meaning, as a specific rhythm of pause. Indeed it is starting from this category of ‘pause’, or aposiópesis, which ever since Greek rhetoric has drawn attention to this kind of reticence, that we remark upon the value of the intimacy and loneliness of spiritual language, thus marked with significant ‘interruptions’. In this introduction to the theme, then, is discussed the allusive status, performative of language and even its fecund deconstruction in the face of the idealization of its paradoxical apophantic character, theoretical expectation and contemplative capacity. In the first part of this study, the polysemic nature of ‘silence’ is clarified, bearing in mind several semantic levels and degrees regarding the essence of the mystic secretum: from the vows of silence and their ‘muteness’, to the gift of ‘saying’ the unsayable, passing through its ascetic, voluntary condition, and also through the passive recognition of mystic ineffability, further stressing the means of constituting such a language formed through a negative way (apophatic theology). The meaning of this mystic silence is then exemplified, not only as a typology, but considered as a scale, using the study case of Sister Marie-Aimée de Jesus, OCD, † 1874, who gradually meditated upon her own experience. In the course of the twelve degrees under consideration, they are put into context and studied, always complemented through annotations in footnotes, through comparisons that reveal the importance of rhythmic differentiation in the practice of mystical silence. In the third and last part, we advise against the temptation of taking silence as a fuga mundi or as a metaphysic of secret silence within some kind of ‘gnostic serenity’, as a sigé, in opposition to the realistic fecundity of some humble, but experienced and well-spoken-of, ‘prayer of quietness’. Appealing to the language of a number of more recent mystics, a synthesis is made of the flowing of love pointing to the gradual intensification of mystic silence in a scale that must be considered as an alternative to its solely contemplative hermeneutics. To this end a useful, synoptic schematization is presented of the typology of silence. Lastly, we leave as a clue for all the appraisal of silence as a pause of wisdom and a holy reticence in the practice of the inner life, the importance of the oriental monastic tradition of hesykhía, as an example in which (albeit simplified), it is still possible to find the differentiations of the several spiritual silences, by the means of this silent prayer as a holistic exercise.
Peer review: yes
URI: http://hdl.handle.net/10400.14/10179
ISSN: 0253-1674
Aparece nas colecções:RD - 2011 - Vol. 041 - Fasc. 2

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